Decisão provoca acusações e celebrações
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
France Presse 
Os apelos à unidade dos chilenos se confundiram ontem com as acusações recíprocas entre adversários e partidários do general Augusto Pinochet, após o governo britânico decidir pela abertura do processo de extradição do ex-presidente chileno.
Pedimos a todos os setores de nossa sociedade que mantenham a tranquilidade e a responsabilidade, disse o vice-presidente Raúl Troncoso em uma mensagem à nação por rádio e TV, após a decisão do ministro británico do Interior, Jack Straw.
Troncoso, que assumiu o governo na ausência do presidente Eduardo Frei, advertiu que as manifestações apaixonadas, como ocorreram nas semanas anteriores, ameaçam (....) a estabilidade e a soberania nacional.
No Rio de Janeiro, onde participa da Reunião de Presidentes do Mercosul, Frei também lamentou a decisão britânica.
Oficiais da reserva do Exército citaram os socialistas como traidores da Pátria, ao tempo que advertiram que um julgamento de Pinochet no exterior pode levar o Chile a convulsão.
Deputados do Partido Socialista (PS), principal aliado dos democratas cristãos no governo Frei, viajaram a Londres junto a familiares das vítimas da repressão do regime militar, que testemunharam contra o general na Câmara dos Lordes.
Os socialistas também enviaram em 30 de novembro passado uma carta ao ministro Straw onde assinalavam que o Chile não oferecia garantias para julgar Pinochet e apoiavam a sua extradição para a Espanha.
Na direita, o Partido de Renovação Nacional e a União Democrata Independente insistiram em assinalar a posição do PS como autor de um boicote contra Pinochet, a margem da posição do governo Frei e de seu chanceler (socialista) José Miguel Insulza.
O processo de extradição vai ser muito longo e os chilenos devem ter calma e tranquilidade, assinalou o candidato socialista a presidência, Ricardo Lagos.
SatisfaçãoOs parentes dos desaparecidos durante a ditadura de Augusto Pinochet declararam-se satisfeitos pela decisão do Ministro do Interior britânico, Jack Straw, de aceitar a continuação do processo de extradição do ex-ditador à Espanha.
Estamos muito contentes e felizes com a decisão (...), mais ainda quando hoje comemoram-se os cinquenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, explicou em Santiago Viviana Díaz, vice-presidente do grupo de parentes de presos desaparecidos.
A decisão de Straw significa que os crimes contra a humanidade não podem prescrever, não podem ser anistiados e que Pinochet, depois de 25 anos, tem que estar preso (...) e responder pela vida de nossos entes queridos, afirmou.
Acreditamos que Pinochet será extraditado à Espanha e julgado, declarou Viviana Díaz.
ArgentinaA autorização do governo britânico de dar curso ao processo de extradição para a Espanha do ex-ditador chileno Augusto Pinochet constitui um precedente para outros ditadores sul-americanos, disseram ontem à AFP líderes argentinos de defesa dos direitos humanos.
A representante das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, e a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, disseram que o mundo deve festejar, porque está sendo demonstrado que para exercer a justiça não existem limites, impossibilidades.


