Washington- Os cerca de 156 milhões de eleitores norte-americanos começaram, às 9 horas de ontem (no horário de Brasília), a escolher, na maioria dos Estados, quem será o 44º ocupante da Casa Branca nos próximos quatro anos. O resultado é imprevisível: as últimas pesquisas apontam empate técnico nas intenções de voto entre o republicano George Walker Bush e o democrata John Forbes Kerry (48% para cada um).
A importância desse jogo eleitoral é tamanha que seu resultado apontará o caminho econômico, militar e diplomático de todo o planeta -ao menos nos próximos quatro anos. Afinal, trata-se da escolha do presidente de um país com um PIB da ordem de US$ 10 trilhões -quase dez vezes maior que o do Brasil-, quase 300 milhões de habitantes e responsável por 18% das importações e 10% das exportações do mundo.
O voto não é obrigatório no país. A eleição é indireta e os americanos votam em representantes para a formação de um colégio eleitoral.
Bush tenta a reeleição, quatro anos depois de assumir o cargo repleto de suspeitas de irregularidades eleitorais. Nove meses após assumir, passou a comandar um país traumatizado pelo impacto da crise dos atentados às torres gêmeas do World Trade Center.
Bush, 58 anos, tornou-se o ''presidente da guerra'', lançou ataques contra o Afeganistão e o Iraque, baixou impostos da classe mais privilegiada e liderou o país mais abastado do mundo em meio a taxas crescentes de desemprego.
Do outro lado está o senador democrata John Kerry, 60 anos, representando a Casa Branca da era Clinton, época de economia pungente, política comercial conservadora e relativa calma no cenário internacional.
Se depender de Kerry, no entanto, a política militar americana não deve se alterar muito. Em diversos discursos, o democrata não hesitou em prometer que vai ''caçar'' e ''matar'' Bin Laden e outros ''inimigos'' antes que eles cheguem ao território americano.
Votação e apuração As primeiras seções eleitorais foram abertas nos Estados de Connecticut, Kentucky e Nova York (Leste dos EUA) às 6 horas (9h de Brasília) de ontem. Os eleitores americanos puderam votar até as 20 horas de ontem (o fuso horário é de três a seis horas a mais que em Brasília).
A apuração dos votos só começará quando se encerrarem as votações em todos os Estados. A expectativa é que o resultado saia no meio da madrugada de hoje.
O país mais poderoso do mundo não está imune às fraudes. Já há suspeitas sobre o destino de 60 mil cédulas que desapareceram na Flórida, o que pode levar a decisão das eleições mais uma vez para a Justiça -como no final de 2000.
Os dois candidatos já estão economicamente preparados também para uma eventual luta jurídica: calcula-se que os republicanos tenham arrecadado cerca de US$ 8 milhões para disputas legais -caso a diferença de votos seja pequena e o drama das recontagens de 2000 se repita. O democratas teriam arrecadado cerca de US$ 3 milhões com esse fim.
Em 2000, a Corte Suprema dos EUA pôs fim a uma recontagem de votos na Flórida, proclamando a vitória de Bush, 36 dias após a eleição, ocorrida no dia 7 de novembro.
Como é a eleição Os eleitores nos 50 Estados e no Distrito de Colúmbia elegem 538 representantes para o Colégio Eleitoral, que se transformam em votos para o presidente. Um candidato precisa da maioria de 270 votos para vencer a eleição. Até o momento, os prováveis votos de Bush somam 205, contra 164 de Kerry. Os 161 que se mantêm indecisos vão decidir a eleição.
Os americanos não votam apenas pela escolha de um novo presidente, mas, como a cada dois anos, também renovam o quadro da Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e um terço do Senado (34 cadeiras). Os novos membros eleitos são decisivos porque podem emperrar ou fortalecer o apoio ao presidente eleito.
A ala republicana aposta na conquista de um reforço à maioria que já desfruta na Câmara dos Representantes, e luta para manter a pequena vantagem que mantém no Senado.
Ainda ontem, Estados decidiriam em plebiscitos questões importantes como a emenda do casamento gay, a pesquisa com células-tronco, a liberalização da maconha e impostos sobre cigarro.
No Colorado, por exemplo, os eleitores também decidirão sobre a forma de escolha dos representantes do Estado no Colégio Eleitoral. A Emenda 36 prevê dividir os nove votos do Colorado no Colégio Eleitoral de forma proporcional à votação obtida pelos candidatos (atualmente, o candidato que tiver o maior número de votos leva todos os votos do Estado).
A eleição nos EUA envolve 2 milhões de funcionários e 200 mil seções eleitorais. Calcula-se que 143 milhões de americanos participarão das eleições, um número recorde. Desde 1972, à época do conflito no Vietnã, os americanos não iam às urnas com seu país liderando uma guerra -no caso, a do Iraque.
Ontem o jornal 'USA Today' publicou os últimos pedidos dos dois candidatos numa coluna chamada ''Porque você deve votar em mim hoje''.
O candidato George Bush repete ali que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein era ''uma ameaça única'' e que os Estados Unidos ''tinham razões para atuar'' no Iraque para ''promover a liberdade, a esperança e a democracia no Oriente Médio ''.
Já o concorrente Kerry reitera que os Estados Unidos ''estão num caminho equivocado'' e que Bush toma ''decisões erradas'' e ''tomou decisões catastróficas sobre o Iraque''.

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