Decisão dos Lordes sairá até quinta
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
France-Presse 
France PressePartidários do ex-ditador Pinochet preparam manifestação, em Santiago, defendendo sua libertaçãoRetido em Londres, preso em Madri ou já de volta ao Chile, protegido das tentativas estrangeiras de processá-lo por crimes atribuídos a seu governo de fato, o ex-ditador Augusto Pinochet não terá no dia 23 uma festa de aniversário tão eufórica quanto a que lhe foi oferecida no ano passado, quando completou 82 anos.
A uma semana de seu aniversário, Pinochet se recupera lentamente da intervenção cirúrgica que sofreu na coluna em 9 de outubro passado e, segundo pessoas próximas, não supera a humilhação de sua prisão preventiva no Reino Unido a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que pretende processá-lo por genocídio, terrorismo e torturas.
Até quinta-feira, a Câmara dos Lordes do Reino Unido decidirá se a prisão do ex-presidente é ou não legal. Um comitê dos Lordes ouviu a defesa e a acusação durante seis dias e, na sexta-feira passada, anunciou um período de reflexão antes de entregar esta semana a sentença crucial, que, se for adversa ao acusado, permitirá a entrega de Pinochet à justiça da Espanha.
Os advogados de defesa argumentam que um processo no estrangeiro ameaça a institucionalidade e faz retroceder a transição da democracia plena, inaugurada com o fim do governo militar em 1990. Caso a decisão seja em seu favor, Pinochet poderá partir de imediato para Santiago.
Versões jornalísticas atribuídas a familiares afirmam que Pinochet já não caminha por meios próprios e que está sofrendo de depressão. Uma agência de notícias chilena indica que Pinochet, no entanto, revela um certo otimismo quanto à decisão dos Lordes.
Por outro lado, em Genebra, o comitê da Organização das Nações Unidas contra a tortura criticou ontem duramente a Grã-Bretanha por sua atitude em relação ao caso do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, detido em Londres. O presidente do comitê, o canadense Thomas Burns, disse em Genebra: Se depois da Segunda Guerra Mundial, Hitler tivesse conseguido escapar para a Grã-Bretanha é possível que hoje pudesse estar passeando tranquilamente pelo Hyde Park.


