Ao adotar sua primeira medida importante, menos de quatro dias depois de ter tomado posse, o presidente paraguaio, Raúl Cubas, abriu uma profunda crise política no país ao libertar, por decreto, o general golpista Lino Oviedo. Dirigentes do Partido Colorado, ao qual estão filiados tanto Cubas quanto Oviedo, e líderes da oposição uniram-se na tentativa de abrir um processo de impeachment contra o presidente recém-empossado, a quem acusam de romper a ordem constitucional e tentar instaurar uma ditadura pessoal.
A decisão de libertar Oviedo - que em abril de 1996 tentou derrubar o então presidente, Juan Carlos Wasmosy, por meio de um golpe militar - deixou Cubas quase totalmente isolado em seu partido.
De acordo com os partidários de submeter Cubas a um julgamento político no Congresso, o presidente quebrou um princípio constitucional ao decretar a comutação da sentença de Oviedo sem que tivesse cumprido o procedimento legal para isso. Os juízes do Supremo Tribunal do país pediram ontem, oficialmente, que Cubas esclarecesse a medida.
Apesar da polêmica, a libertação de Oviedo por Cubas era uma medida esperada. O general era o candidato a presidente na chapa que venceu a convenção do Partido Colorado no ano passado. Cubas era o candidato à vice-presidência. Com o triunfo de Oviedo, saíram derrotadas da primária colorada a facção liderada por Wasmosy e a de Luis María Arga¤a. Os três grupos digladiam-se pelo controle da agremiação, que se mantém no poder há mais de 50 anos.
Falando ontem pela TV, o presidente paraguaio Raúl Cubas afirmou que a libertação do ex-general Lino Oviedo foi uma de suas promessas eleitorais.
Cubas reiterou que o decreto que comutou a condenação de 10 anos à qual foi sentenciado Oviedo por um tribunal castrense especial ‘‘se ajusta estritamente ao direito’’.
A libertação de Oviedo ‘‘não se afasta em nada da minha promessa pública’’, destacou.
Acrescentou que foi adotada ‘‘com todos os respaldos legais’’ e após consultar ’’ juristas nacionais e internacionais’’.
Já o próprio irmão do presidente, senador Emilio Cubas, afirmou que ‘‘Raúl Cubas foi dominado por Lino Oviedo’’, anunciando que seus parentes se afastarão dele por causa disto.
Uma filha e uma cunhada do presidente foram vistas ontem quando entravam no Palácio do Governo com lágrimas nos olhos, pouco depois de se saber a notícia.
Em declarações à rádio Primeiro de Março, o senador Cubas disse que lamentava a atitude de seu irmão e advertiu que ‘‘devemos opor uma barreira intransponível a este homem (Oviedo)’’.
Três irmãos do presidente Raúl Cubas - que assumiu sábado passado - renunciaram a cargos como de ministros ou assessores, em relação ao decreto pelo qual foi terça-feira posto em liberdade o general Lino Oviedo, seu tutor político, que havia sido condenado a 10 anos de prisão, informou ontem o senador Emilio Cubas.
O ministro da indústria e comércio, Carlos Cubas, foi o primeiro a renunciar ao cargo.
Em seguida foi Luis Cubas, porta-voz do presidente e depois Emilio Cubas, senador nacional, que o assessorava em algumas questões políticas.
O general Oviedo foi posto em liberdade ontem à tarde. Milhares de partidários comemoraram nos principais centros urbanos do país.

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