As mudanças climáticas e o futuro do Protocolo de Kyoto estavam no centro da reunião de ministros do Meio Ambiente das Américas, iniciada ontem, a primeira do gênero, que se realiza com a participação de 30 ministros e representantes, a portas fechadas num hotel de Montreal.
Os delegados discutem assuntos gerais como ‘‘os desafios da gestão das políticas ambientais num hemisfério em evolução’’ ou ‘‘as relações entre a saúde e o meio ambiente’’. Trata-se, diz um comunicado, de ‘‘demonstrar a importância de se ocupar da questão ambiental num contexto de prosperidade econômica e de reforçar a cooperação regional nesse sentido’’.
A imprensa era cuidadosamente mantida à margem. Mas, segundo transcendeu, a decisão americana de rejeitar o Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento do planeta, estava no centro das discussões.
O presidente George W. Bush afirmou ontem que era contrário à limitação obrigatória das emissões de gases de efeito estufa – estabelecida no documento de 1997 – mas que estava disposto a aprovar um plano para reduzi-los, sem afetar a economia americana.
Segundo os Estados Unidos, o protocolo apresenta ‘‘falhas maiores’’, disse por sua vez a diretora da Agência para a Proteção Ambiental Americana (EPA) Christine Todd Whitman, que na terça-feira havia declarado que os Estados Unidos não tinham ‘‘nenhum interesse em implementar’’ o protocolo de Kyoto.
Paul Fauteux, diretor-geral do departamento de mudanças climáticas do ministério canadense do Meio Ambiente, disse ontem, paralelamente à reunião, que ‘‘vários delegados’’ compartilhavam a decepção do Canadá depois da decisão americana. ‘‘Kyoto não é perfeito mas merece existir’’, opinou. Considerou que era ‘‘muito cedo’’ para falar da morte do Protocolo, mesmo se os prazos 2008-2012 fossem atrasados.
Ao término da reunião bilateral com Whitman, o secretário mexicano de Meio Ambiente, Viktor Lichtinger, disse por sua vez que se o Protocolo de Kyoto não funcionar, ‘‘será preciso buscar novos caminhos’’.
Ontem, entre 100 e 200 manifestantes vestidos de vacas loucas, ursos, diabos, patos e borboletas se manifestaram diante do hotel do centro de Montreal onde se realiza este encontro, que antecede a reunião de cúpula das Américas que se realizará em abril em Quebec.

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