Muito animado para viagens, apesar dos seus problemas de saúde, o papa João Paulo II se dispõe a tomar mais uma vez seu bastão de peregrino e fazer uma visita à Ucrânia, onde vai enfrentar esta semana uma situação especialmente difícil.
Cada vez mais encurvado, caminhando lentamente, apoiando-se numa bengala – da qual não se separa desde sua operação no fêmur, em abril de 1994 – ou no báculo durante as cerimônias, João Paulo II não hesita em mostrar que ainda tem bastante energia.
Ao terminar as audiências gerais na praça de São Pedro, foi visto durante as últimas semanas erguendo seu bastão diante dos peregrinos, fazendo sinal de vitória, um triunfo frente às suas limitações físicas.
O Mal de Parkinson também dificulta sua locomoção e é responsável pelo tremor na mão esquerda e pela rigidez nos músculos faciais. Ainda que sua sucessão tenha sido a principal discussão do consistório extraordinário realizado entre 21 e 24 de maio no Vaticano, nenhum dos 150 cardeais presentes na ocasião mencionou publicamente a hipótese de afastamento de Sua Santidade.
Esta possibilidade foi cogitada no início do ano pelos cardeais belga Godfried Danneels e alemão Karl Lehmann. Segundo as normas adotadas nos últimos 30 anos pela Igreja, os bispos devem se demitir aos 75 anos e os cardeais aos 80, idade que João Paulo II acaba de alcançar.
Na Ucrânia, como acontece em todas as viagens, o papa vai poder contar com seu médico, Renato Buzzonetti, e o cardiologista Patrizio Polista. A irmã Germana, uma freira polonesa que é formada em medicina e converteu-se em sua ‘‘sombra’’, também deve acompanhar o Sumo Pontífice.

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