De la Rúa volta a crescer nas pesquisas
Ariel Palacios,
especial para a AE
De Buenos Aires
Faltando poucos dias para as eleições presidenciais argentinas, as pesquisas indicam que cessou a recuperação que estava ocorrendo para Eduardo Duhalde, candidato do partido do governo, o partido Justicialista (conhecido também como peronista). Simultaneamente, a queda que estava preocupando Fernando de la Rúa, candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, foi detida, e retomou seu crescimento.
Desta forma, segundo a Gallup, De la Rúa possuiria 43% das intenções de voto, enquanto que Duhalde teria 30%.
Na semana passada, o crescimento de 3 pontos percentuais de Duhalde havia criado expectativas entre os assessores de campanha de que o candidato peronista poderia chegar ao segundo turno. No entanto, as pesquisas indicam que essa possibilidade é cada vez mais remota.
O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, ao contrário do que os analistas imaginavam, não caiu após um crescimento inicial, e manteve-se firme em 9%. Contente com seu crescimento, o neo-liberal Cavallo afirmou que estava conquistando eleitorado peronista: somos os verdadeiros descamisados, categorizou. Entre o total de eleitores, os indecisos estariam em 9%.
A projeção para as eleições deste domingo indicam que De La Rúa obteria um total de 51% dos votos, enquanto que Duhalde ficaria com 35%, o que seria a pior performance peronista na História das eleições presidenciais (a pior já registrada foi em 1983, com 41,7%). Cavallo obteria 10% dos votos,
transformando-se em uma nova força política, com possibilidades de ser o fiel da balança no Parlamento. A projeção da consultoria Graciela Römer e Associados é similar: 50,2% para De La Rúa, e 37,6% para Duhalde. Cavallo ficaria com 10% dos votos.
Na província de Buenos Aires, onde a disputa pelo cargo de governador está concentrando as principais esforços dos partidos, as pesquisas indicam que existe uma paridade entre os dois principais candidatos: o peronista Carlos Ruckauf, e a aliancista Graciela Fernández Meijide, ambos com 35% dos votos. As restantes carreatas serão focalizadas nesta província, a maior e mais rica do país, que possui 37% do total de eleitores argentinos.
Abortista, atéia e anti-cristã foi a definição disparada por Ruckauf contra Fernández Meijide na desesperada luta dos últimos votos, argumentando que a candidata está contra a vida. No entanto, a candidata da Aliança, que tem um filho desaparecido durante a última Ditadura Militar (1976-83), possui o apoio de setores progressistas da Igreja.
Ruckauf, que é vice-presidente do país desde 1995, foi no passado ministro do Trabalho de Isabelita Perón, e um dos que assinaram um decreto que autorizava a aniquilação da subversão. O decreto foi utilizado pelas forças armadas e policiais como ferramenta para a tortura e a morte de opositores políticos nos anos 70. Mais de duas décadas depois, Ruckauf fez sua campanha pedindo maior segurança, afirmando que uma das ferramentas seria a pena de morte para os delinquentes.
Analistas consideram que Ruckauf está tentando conseguir os 13% dos votos da direita, atualmente nas mãos do ex-comissário Luis Patti, candidato ao governo da província pelo partido que ele próprio criou, o Unidade Bonaerense. Patti defende mão dura com criminosos. Como prefeito da cidade de Escobar, chegou a proibir beijos cálidos em via pública. Patti é acusado de ter sido torturador durante a Ditadura.
No entanto, as leis de anistia do fim dos anos 80, suspenderam as investigações sobre o passado de Patti.
Os ataques também estão partindo do presidente Carlos Menem, que embora não ajude Duhalde, candidato de seu partido, critica a oposição, a qual considera como os candidatos mais corruptos da História.
Querendo indicar que a oposição é quase que totalmente constituída por políticos de Buenos Aires (com os quais o interior possui uma antiga rivalidade), Menem denomina a Aliança como a chapa do Obelisco, referindo-se ao monumento-símbolo da capital argentina. Segundo o presidente com eles, voltará a hiperinflação, o desemprego e a pobreza.
Na semana passada, Menem disse aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires que já está em campanha para as próximas eleições presidenciais. Os ultramenemistas, como são conhecidos seus assessores mais fanáticos, possuem milhares de cartazes armazenados para - no amanhecer do dia 25, logo após as eleições cobrir a cidade com a foto do presidente e o slogan Menem 2003. Irritado, Duhalde comentou: Menem pensa mais em seu projeto pessoal do que no futuro do peronismo.
Sentirei saudade de seu conselho e sabedoria. Com estas palavras, assinando somente Bill, o presidente norte-americano Bill Clinton despediu-se por carta do presidente Menem.
No texto, Clinton sustenta que Menem é um exemplo da alta qualidade de estadistas que o mundo espera da Argentina e que se sente orgulhoso da associação que juntos forjamos entre os EUA e a Argentina.





