Ariel Palacios
Agência Estado
De Buenos Aires
O presidente eleito da Argentina, Fernando de La Rúa, anunciou ontem os nomes dos integrantes das equipes que se encarregarão de negociar com os ministros do governo Carlos Menem o período de transição que se estenderá até 10 de dezembro. Os integrantes das equipes de transição não serão automaticamente ministros. A lista de ministros só será anunciada em dez dias.
• Chancelaria e Comércio Exterior: a comissão está a cargo do deputado Rodolfo Terragno, ex-ministro de Obras Públicas do presidente Raúl Alfonsín. É considerado um dos principais intelectuais da UCR. Junto com ele está a economista Beatriz Nofal, representante da Arthur D’Little, ex-subsecretária de Desenvolvimento Industrial, e especialista em Mercosul. Ela é cotada para ocupar a secretaria de Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria, que é o principal posto para as negociações com o Brasil. Também estarão na equipe o ex-secretário de Indústria Roberto Lavagna e Carlos Pérez Llana.
Lavagna é cotado para ocupar a Secretaria de Indústria e Comércio, mas da mesma forma que Pérez Llana, teria chances de tornar-se embaixador no Brasil. Terragno declarou que as equipes da Aliança e do governo Menem já estão estudando juntas as negociações da Alca e a rodada do milênio, que ocorrerão antes da posse de De La Rúa. Também referiu-se à reunião de cúpula do Mercosul, dia 8 de dezembro (dois dias antes da posse), em Montevidéu.
• Economia: A equipe será chefiada pelo ex-presidente do Banco Central, José Luis Machinea, que terá a seu lado Daniel Marx, encarregado de analisar formas de reduzir o déficit fiscal e as medidas para aumentar a competitividade. Pablo Gerchunoff também integra a equipe, e é o especialista em macro-economia.
Entre as restantes equipes, para coordenar a Chefia de Gabinete foi escolhido o banqueiro Fernando de Santibañes; Nicolás Gallo estará a cargo das Obras Públicas; Cecilia Felgueras na Educação e Ação Social; Héctor Lombardo na equipe de Saúde; Adrián Glodin na área de trabalho, Pablo Tonelli no setor da Justiça e Juan Manuel Casella na Defesa.
Formado na Universidade Católica Argentina, José Luis Machinea, começou no governo do general Rodolfo Levingston (1970), e ali permaneceu, passando pela presidência de Isabelita Perón, continuando na Ditadura, sob o comando do general Jorge Videla. Em 1981 se aproximou da União Cívica Radical (UCR). Com a eleição do presidente Raúl Alfonsín, se tornou subsecretário do Desenvolvimento no Ministério da Economia.
Posteriormente foi promovido a subsecretário de Política Econômica. Poucos anos depois, o Plano Austral naufragou. Machinea teve ali uma discreta participação. A pior etapa de Machinea foi em 1989, quando começou a escalada inflacionária que levaria a uma hiperinflação de 4.900%. Machinea viu o governo Alfonsín terminar seis meses antes do previsto. Analistas consideram que esta experiência proporcionou a Machinea um conhecimento profundo de como os mercados condicionam os governos.
Anos depois, em 1992, o ex-presidente do BC encarregou-se do Instituto de Desenvolvimento Industrial. Já no começo da campanha de De La Rúa era visto como o futuro ministro da Economia. Sobre as relações com o Brasil, Machinea espera que o país cresça no ano 2000 para que possa comprar mais produtos argentinos. Ele considera que os principais problemas do Mercosul se devem a questões ‘‘estruturais’’, entre elas, a necessidade de criação de instituições estáveis no bloco. Além disso, considera que é preciso eliminar todo tipo de subsídios às exportações nos países-sócios.

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