De la Rúa pode vencer com mais de 50%
Vladimir Goitia
Associated Press
De Buenos Aires
Na véspera das eleições presidenciais, o quadro político argentino está praticamente definido. Se as pesquisas de opinião pública divulgadas ontem pelos jornais Clarín e La Nación se confirmarem, o candidato da Aliança de Oposição, Fernando de La Rúa, deve vencer as eleições já no primeiro turno, amanhã, com uma diferença entre 14 e 16 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Eduardo Duhalde, do Partido Justicialista. (v. quadro)
Ainda segundo as pesquisas, há uma grande possibilidade de De la Rúa ser eleito com 51% dos votos. Nesse caso, afirmam os principais analistas políticos do país, a Argentina estaria elegendo, pela primeira vez, um presidente com maciço apoio popular. Mas, ao mesmo tempo, com uma fragilidade instuticional gritante. A Aliança não vai mesmo conseguir reverter o quadro desfavorável na Câmara de Deputados, onde os peronistas que também pela primeira vez na história do país correm o risco de receber menos de 30% dos votos nas eleições de domingo vão manter sua posição majoritária.
No Senado, o Partido Justicialista (Peronista) deve mandar pelo menos até 2002, quando haverá, também pela primeira na história, eleições diretas para senadores. Esta eleição será ainda mais decisiva para a Aliança, já que, com uma derrota, pode ver todas as suas tentativas de governar por água abaixo. O quadro instuticional para De la Rúa fica ainda mais complicado se for levado em conta o poder da Corte Suprema de Justiça, que, praticamente, co-governou com o presidente Carlos Menem, recordista em baixar decretos, nos últimos seis anos.
Os juízes da Corte Suprema nem mesmo são chamados de peronistas, mas de menemistas, tal o grau de aproximação, amizade e sociedade com o presidente Menem . Ou seja, caso a Aliança venha a precisar do quarto poder do país, terá de se curvar à figura de Carlos Menem, que deixa o poder no dia 10 de dezembro com uma base institucional extremamente forte para retornar à presidência em 2003.
A Aliança vai precisar ainda dos votos do partido do ex-ministro de Economia Domongo Cavallo na Câmara dos Deputados. Cavallo por sua vez, é um dos candidatos mais forte para a Prefeitura de Buenos Aires em 2002, hoje nas mãos de Fernando de la Rua. Por isso, os principais analistas políticos do país acreditam que o quadro político pós-eleição para Aliança é sombrio. Embora esses analistas acreditam que tanto Menem como Cavallo terão papel colaboracionista, isso dependerá de quanto a Aliança estará disposta a oferecer.
Guardando as devidas proporções, o quadro político argentino do próximo milênio se assemelha ao do Brasil. Embora não exista nenhuma evidência clara, alguns analistas afirma que, dentro da Aliança, começa a surgir uma briga interna entre desenvolvimentistas e fiscalistas (os que defendem com unhas e dentes um rigorosíssimo ajuste fiscal).
Quase ninguém duvida que Carlos Menem será uma figura preponderante na política argentina. Rosendo Fraga, prestigioso analista político e pesquisador de opinião pública, afirma que Menem manterá uma forte liderança no Partido Justicialista, até surgir um outro líder.





