De la Rúa pede rigor em fuga de presos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Agência Folha De Buenos Aires 
A fuga de uma prisão de Buenos Aires de dois acusados do assassinato do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña, morto em fevereiro do ano passado, é questão de Estado para a Argentina, afirmou ontem o presidente do país, Fernando de la Rúa.
É um fato grave, e os fugitivos precisam ser recapturados imediatamente. A falha foi grave, afirmou o presidente, que deixou de lado todos os problemas internos da Argentina para priorizar o esclarecimento do caso.
O presidente do Paraguai, Luis González Macchi, disse, por sua vez, estar muito preocupado com a fuga dos acusados do assassinato de Argaña, mas disse ter certeza de que o governo argentino está fazendo o máximo para prendê-los novamente.
Anteontem, em uma fuga espetacular do prédio central da Polícia Federal da Argentina, os dois paraguaios e um outro preso por roubo escaparam sem dar um tiro, encontrando portas abertas, além de não terem sido filmados pelos circuito interno de vídeo. Foi a primeira vez em 112 anos que presos conseguiram fugir desse prédio, que nunca comporta mais do que dez detidos ao mesmo tempo, todos presos por motivos especiais. Não há pistas.
Por isso, no Paraguai, surgiu a suspeita de que possa ter havido suborno para a facilitação da fuga. O pagamento teria sido feito por pessoas ligadas ao ex-general Lino Oviedo, detido em Brasília e acusado de ter sido o mentor intelectual da morte de Argaña.
Na época, o presidente do Paraguai era Raúl Cubas, ligado a Oviedo. Os dois tiveram de deixar o país pouco após o assassinato. Cubas exilou-se no Brasil e Oviedo partiu para Argentina, país em que possuía fortes laços com o então presidente Carlos Menem.
Dias antes de De la Rúa tomar posse, em dezembro de 1999, Oviedo desapareceu, até ser preso em Foz do Iguaçu (PR) em junho. Além das acusações pela morte de Argaña, o ex-general paraguaio foi condenado por uma tentativa de golpe contra o ex-presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy.
Segundo Nelson Argaña, filho do vice-presidente assassinado, é certo que houve envolvimento de oviedistas na fuga.


