De la Rúa força renúncia de senadores
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Ariel Palacios Agência Estado De Buenos Aires 
Evitar que a crise matrimonial passe de separação para divórcio: esta é a frase que está definindo a atual manobra do presidente Fernando De la Rúa para impedir que a saída de Carlos Chacho Álvarez da vice-presidência do país se transforme inexoravelmente na ruptura da coalizão de governo Aliança UCR-Frepaso.
A polêmica renúncia de Álvarez se deveu aos escândalos de corrupção não investigados pelo governo. De la Rúa tenta reconquistar a Frepaso (Frente País Solidário) e recuperar o espaço que perdeu.
Da estratégia de De la Rúa, que pertence ao partido União Cívica Radical (UCR), fez parte, nos últimos dois dias, o sacrifício de alguns colaboradores, além de negociações para incluir em cargos governamentais diversas lideranças do partido de Álvarez, a Frepaso.
A intenção é colocar integrantes deste partido em secretarias e sub-secretarias. Não se descarta colocar alguém da Frepaso no ministério do Interior para impedir o divórcio da coalizão.
A sequência de sacrifícios humanos para aplacar a ira de Álvarez começou no domingo à noite, quando De la Rúa pressionou o presidente do Senado, José Genoud, para que renunciasse.
Genoud era acusado pelo ex-vice de estar encobrindo as investigações sobre o escândalo de subornos a senadores para a aprovação da lei trabalhista. Genoud disse que renunciava para descomprimir a tensão na Aliança.
Ontem de manhã, foi a vez do senador peronista Jorge Massat renunciar, também por envolvimento no escândalo. Nos próximos dias, o Senado escolherá seu novo presidente. Um dos nomes especulados é o do senador Pedro Villarroel, que ficaria como segundo na linha da sucessão presidencial.
Outra oferta a Álvarez será a formação de um grupo que participe ativamente do governo De la Rúa, como uma espécie de coordenação da coalizão. O grupo estaria formado por Álvarez e pelo ex-presidente Raúl Alfonsín, que até a posse de De la Rúa, em dezembro passado, haviam sido os principais coordenadores da Aliança.
Na Frepaso, o corte de cabeças, como definem as renúncias dos envolvidos no escândalo do Senado, ainda é considerado insuficiente. O partido ainda espera a renúncia do chefe da Side, o serviço secreto argentino, Fernando de Santibáñes, amigo de De la Rúa, e suspeito de ter sido quem dentro do governo pagou os subornos aos senadores.
Na Câmara de Deputados, a UCR possui 81 parlamentares, enquanto que a Frepaso conta com 37 deputados. No total, são 118 deputados da Aliança para enfrentar os 101 deputados do Partido Justicialista (mais conhecido como Peronista), que domina o Senado confortavelmente.
Mas os gestos de reconciliação precisarão ter resultados na prática: enquanto se espera que o governo De la Rúa passe hoje, por seu primeiro teste nos mercados externos quando o ministério da Economia emitirá US$ 600 milhões em letras do Tesouro , no front interno o teste será realizado nos próximos dias, quando o Congresso votará o Orçamento Nacional, que inclui um forte e impopular ajuste.
O fantasma dos dois últimos anos do governo do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-89) paira sobre De la Rúa como uma nuvem negra: entre 1987 e 1989, Alfonsín perdeu o controle do Congresso para a oposição, e terminou o mandato no meio do caos econômico e político.
Chacho preocupou-se ativamente ontem em acalmar o panorama: mais uma vez, ele declarou apoio ao presidente e afirmou que a coalizão de governo se mantém. O ex-vice afirmou que renunciou porque era impossível aguentar a corrupção dos senadores e que não podia ficar na pendência de que a Justiça resolvesse os casos. A Justiça neste país é um atalho para a não-investigação da corrupção.
Ele e De la Rúa tiveram uma longa conversa telefônica na qual definiram medidas para evitar que a crise política desemboque em um agravamento da crise econômica. No fim do diálogo, acertaram um encontro pessoal no fim da semana.


