O governo do presidente Fernando De la Rúa está se preparando para uma derrota eleitoral histórica. Segundo um relatório confidencial interno da Casa Rosada, a sede do governo, e divulgado ontem pelo jornal ''Clarín'', a administração De la Rúa enfrentaria nas eleições parlamentares de outubro uma vitória do Partido Justicialista (mais conhecido como ''Peronista''), da oposição.
Segundo o relatório, que prevê um cenário sombrio para De la Rúa, os peronistas obteriam 40% dos votos em todo o país, enquanto que a coalizão de governo Aliança UCR-Frepaso ficaria somente com 31%. Das 23 províncias (24 com a capital federal), os peronistas venceriam em 16, incluindo as três principais do país: Buenos Aires, Santa Fe e Córdoba.
Desta forma, os peronistas continuariam dominando o Senado (os peronistas dominam o Senado desde a volta da democracia em 1983). Além disso, passariam a ter uma maior presença na Câmara de Deputados, transformando-se na primeira minoria.
O relatório, de 26 páginas, mostra diversos cenários, incluindo as situações ''otimistas'' e as ''pessimistas''. Em ambas as hipóteses, o governo De la Rúa sofrerá inexoravelmente a derrota. Nestas eleições do dia 14 de outubro, a Câmara de Deputados deverá renovar metade de seus legisladores, enquanto que o Senado substituirá a totalidade de suas vagas.
Muitos analistas comparam o período pós-eleitoral (o período entre as eleições parlamentares de outubro deste ano e as eleições presidenciais de 2003) de De la Rúa com os últimos dois anos do ex-presidente Raúl Alfonsín. Em 1987, Alfonsín (1983-89) teve uma catastrófica derrota nas eleições parlamentares, tendo que conviver com um Senado e uma Câmara de Deputados opositores. O resultado deste cenário foi uma hiper-inflação recorde no continente americano e uma renúncia do presidente seis meses antes do final de seu mandato.
Segundo o relatório confidencial, para evitar a ''síndrome de Alfonsín'' De la Rúa seria forçado a uma gestão de consenso com a oposição peronista. Além disso, teria que conseguir o apoio de suas próprias fileiras da UCR.
Diversas opções circulam pelos corredores da Casa Rosada, entre eles, o de realizar um governo de unidade nacional, que implicaria em colocar diversos peronistas no comando de ministérios cruciais.
Nestas eleições, De la Rúa está diante de uma sinuca. Nos poucos lugares onde o partido do governo teria alguma oportunidade, os candidatos são dissidentes do governo De la Rúa, e críticos até mais ácidos do presidente que os próprios peronistas.

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