Das ruínas, emerge lado cruel dos seres humanos
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quarta-feira, 05 de janeiro de 2005
France Presse 
Falsos alertas de maremoto para invadir casas, impostores que se fazem passar por membros das equipes de socorro para roubar corpos, feridos que são agredidos sexualmente ou explorados economicamente. Infelizmente, a tragédia que atingiu a Ásia depois do Natal não fez emergir apenas a solidariedade entre os seres humanos, também despertou o que há de pior entre as pessoas.
''Recebemos informações sobre estupros, individuais e coletivos, agressões contra mulheres e jovens durante operações de socorro que não foram supervisionadas ou em locais onde as pessoas estavam alojadas temporariamente'', afirmou em um comunicado a organização de direitos humanos
Women and Media Collective, referindo-se ao Sri Lanka.
Ainda que não tenham detalhes sobre a situação, pediu às autoridades que reforcem a proteção aos sobreviventes. Diante da multidão de órfãos, as organizações humanitárias e os governos também temem que sejam vítimas de parentes que desejam ganhar dinheiro para tomar conta deles. Uma autoridade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Índia explicou o caso de um homem que afirmava ser o tio de um órfão que não desejava ir com ele e acabou sendo desmascarado como um impostor.
''Evidentemente estes órfãos representam algo para os parentes e inclusive para outras pessoas diante da promessa de ajuda financeira proposta pelo governo indiano'', disse S. Vidyaakar, fundador de uma organização benéfica em Madras.
Carol Bellamy, diretora-geral da Unicef, declarou em Colombo que uma das principais preocupações de sua organização neste país é ''garantir que as crianças estejam protegidas de qualquer exploração''.
Apesar de toda Tailândia ter se mobilizado para ajudar as vítimas, o jornal sueco Expressen publicou uma matéria sobre um menino sueco de 12 anos, Kristian Walker, ferido no maremoto, foi sequestrado em um hospital.
Ainda que a informação não tenha sido confirmada oficialmente, o jornal afirma que as polícias sueca e tailandesa trabalham juntas na busca.
Esta informação foi divulgada apenas um dia depois da organização não-governamental Save the Children advertir que as crianças que ficam sozinhas depois da catástrofe podem ser vítimas em potencial de pedófilos.
Nos países mais afetados também foram relatados saques e roubos de cadáveres. No Sri Lanka, a imprensa noticiou que alguns corpos foram levados dos hospitais e depois vendidos aos parentes, enquanto outros foram mutilados para tirar jóias.
A tragédia serviu de ''inspiração'' até mesmo para criminosos fora do país. No Timor Leste, por exemplo, delinquentes propagaram boatos sobre a iminente chegada de um tsunami, para poder roubar as casas abandonadas por seus habitantes, declarou o primeiro-ministro Mari Alkatiri. Em Hong Kong, foram enviadas falsas mensagens eletrônicas para pedir ajuda para as vítimas. Por último, as autoridades suecas pediram que não se divulgasse a identidade das centenas de turistas desaparecidos no sudeste asiático para evitar que suas casas fossem invadidas.


