Falsos alertas de maremoto para invadir casas, impostores que se fazem passar por membros das equipes de socorro para roubar corpos, feridos que são agredidos sexualmente ou explorados economicamente. Infelizmente, a tragédia que atingiu a Ásia depois do Natal não fez emergir apenas a solidariedade entre os seres humanos, também despertou o que há de pior entre as pessoas.
''Recebemos informações sobre estupros, individuais e coletivos, agressões contra mulheres e jovens durante operações de socorro que não foram supervisionadas ou em locais onde as pessoas estavam alojadas temporariamente'', afirmou em um comunicado a organização de direitos humanos
Women and Media Collective, referindo-se ao Sri Lanka.
Ainda que não tenham detalhes sobre a situação, pediu às autoridades que reforcem a proteção aos sobreviventes. Diante da multidão de órfãos, as organizações humanitárias e os governos também temem que sejam vítimas de parentes que desejam ganhar dinheiro para tomar conta deles. Uma autoridade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Índia explicou o caso de um homem que afirmava ser o tio de um órfão que não desejava ir com ele e acabou sendo desmascarado como um impostor.
''Evidentemente estes órfãos representam algo para os parentes e inclusive para outras pessoas diante da promessa de ajuda financeira proposta pelo governo indiano'', disse S. Vidyaakar, fundador de uma organização benéfica em Madras.
Carol Bellamy, diretora-geral da Unicef, declarou em Colombo que uma das principais preocupações de sua organização neste país é ''garantir que as crianças estejam protegidas de qualquer exploração''.
Apesar de toda Tailândia ter se mobilizado para ajudar as vítimas, o jornal sueco Expressen publicou uma matéria sobre um menino sueco de 12 anos, Kristian Walker, ferido no maremoto, foi sequestrado em um hospital.
Ainda que a informação não tenha sido confirmada oficialmente, o jornal afirma que as polícias sueca e tailandesa trabalham juntas na busca.
Esta informação foi divulgada apenas um dia depois da organização não-governamental Save the Children advertir que as crianças que ficam sozinhas depois da catástrofe podem ser vítimas em potencial de pedófilos.
Nos países mais afetados também foram relatados saques e roubos de cadáveres. No Sri Lanka, a imprensa noticiou que alguns corpos foram levados dos hospitais e depois vendidos aos parentes, enquanto outros foram mutilados para tirar jóias.
A tragédia serviu de ''inspiração'' até mesmo para criminosos fora do país. No Timor Leste, por exemplo, delinquentes propagaram boatos sobre a iminente chegada de um tsunami, para poder roubar as casas abandonadas por seus habitantes, declarou o primeiro-ministro Mari Alkatiri. Em Hong Kong, foram enviadas falsas mensagens eletrônicas para pedir ajuda para as vítimas. Por último, as autoridades suecas pediram que não se divulgasse a identidade das centenas de turistas desaparecidos no sudeste asiático para evitar que suas casas fossem invadidas.

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