São Paulo - As Damas de Branco, uma organização formada por mães, mulheres e parentes de dissidentes, voltaram ontem às ruas de Havana, capital de Cuba, para marcar os sete anos da prisão de 75 opositores, conhecida como ''Primavera Negra''. Um dia após dura repressão da polícia ao manifesto, as mulheres caminharam em meio a vaias de cerca de 350 defensores do governo, mas sem violência.
''O dia de hoje marca a prisão de nossos familiares. Não vamos deixar de protestar aconteça o que acontecer, que eles façam o que quiserem'', disse a dissidente Laura Pollán, enquanto caminhava com o braço direito numa tipoia e o dedo imobilizado - resultado do confronto com policiais na véspera.
Na manhã de ontem, 30 mulheres vestidas de branco e levando ramos de gladíolos rosas, assistiram à missa na Igreja de La Merced, na Havana Velha, de onde saíram em marcha silenciosa pela rota de quatro quilômetros até a casa de Pollán, até serem interpeladas por grupos pró-castristas. ''As repudiamos porque elas são contra a revolução que vamos defender até o final. As ruas de Cuba pertencem aos revolucionários, não vamos permitir. Deixamos que façam suas marchas, mas temos o direito de não gostar'', disse Yamilé González, empregada de uma creche.
Os manifestantes governistas gritaram vivas à revolução, ao ex-ditador Fidel Castro e a seu irmão, presidente Raúl Castro. Dezenas de curiosos também se somaram à marcha, que foi acompanhada por agentes de segurança que paravam o tráfego para passagem.

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