Nova Déli - O Dalai Lama, líder espiritual exilado dos tibetanos, fez um apelo neste sábado à comunidade internacional para que ajude a solucionar a crise no Tibete, mencionando também a possibilidade de renunciar dentro de alguns anos a seu papel político, cedendo o lugar a um sucessor.
O líder espiritual budista voltou a pedir à China a retomada do diálogo para resolver a crise no Tibete, insistindo que não luta pela independência e que não é a favor de um boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.
''Não temos poder maior que a justiça, a verdade, a sinceridade (...). Por isso peço à comunidade internacional que, por favor, ajude'', disse o Dalai Lama em uma coletiva de imprensa realizada em Nova Déli, capital da Índia.
Lembrando que não luta pela independência do Tibete, e sim por uma ''autonomia significativa'', o Dalai Lama destacou que os tibetanos pedem ''garantias sobre a proteção de nossa cultura única, principalmente do idioma''.
O Prêmio Nobel da Paz de 1989 disse que é possível que ''dentro de algum tempo'' renuncie completamente, ''voluntariamente e de maneira feliz''. ''Já estou em uma posição próxima da aposentadoria'', acrescentou o líder, hoje com 72 anos, dizendo em seguida que pensa em dedicar ''mais tempo à preparação de sua próxima vida''.
O Dalai Lama já havia ameaçado deixar o cargo de líder político e espiritual do budismo tibetano recentemente, mas vinculou sua saída ao agravamento da situação no Tibete, que nas últimas semanas têm sofrido com violentos distúrbios. Na terça-feira, ele disse que se afastaria se novas manifestações violentas em protesto contra a China acontecessem em território chinês ou em qualquer outro lugar. Ao falar de possíveis sucessores, o Dalai Lama garantiu que ''não tem preocupações'' a respeito disso.
Este novo apelo à comunidade internacional acontece um dia depois do pedido feito pessoalmente ao governo chinês pelo presidente americano, George W. Bush, que instou o país a dialogar com os representantes do Dalai Lama e a agir com prudência em relação ao Tibete. Foram as primeiras declarações pessoais e públicas de Bush desde o início da crise tibetana.
Indenização - O governo chinês irá indenizar as famílias das vítimas dos protestos em Lhasa, informou a agência estatal neste sábado, mesmo dia em que dezenas de diplomatas visitaram a região. Pequim afirma que 22 pessoas morreram nos protestos que se espalharam para várias regiões do Tibete e no oeste da China no início deste mês. No entanto, segundo grupos de tibetanos exilados, os mortos foram ao menos 140.
Com a medida, a China pretende restaurar a calma após os distúrbios, que chamaram a atenção da comunidade internacional. Famílias de 18 civis mortos em confrontos nas manifestações receberão US$ 28.500 (cerca de R$ 49 mil), de acordo com a agência de notícias Xinhua, que cita fontes do governo.
A Xinhua não deu informações de que o governo compensará as famílias dos outros quatro mortos. De acordo com a agência oficial, os feridos (segundo o governo, 382 civis e 241 policiais) receberão atendimento médico gratuito, e comerciantes que tiveram suas lojas danificadas terão ajuda financeira para os reparos.

mockup