Pequim - Os protestos de tibetanos se espalharam ontem por toda a China, com pelo menos sete manifestantes mortos em Sichuan (sudoeste) pela forte repressão chinesa, que já deixou dezenas de mortos em Lhasa e levou o Dalai Lama a denunciar o ''regime de terror'' imposto por Pequim.
Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete, continuava ontem fechada aos turistas e cercada pelas forças de segurança após as manifestações da última sexta-feira, que, segundo o governo tibetano no exílio, já deixaram 80 pessoas mortas, número muito superior às dez vítimas admitidas pelas autoridades chinesas.
Conscientes do risco para sua imagem a cinco meses dos Jogos Olímpicos, as autoridades chinesas optaram pela firmeza para enfrentar as manifestações dos últimos dias no Tibete, afirmam analistas.
''Isto é o pior que poderia acontecer com eles'', declara Jean-Philippe Béjà, sinólogo e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas Internacionais (CERI) de Paris. ''Não deixarão que as reivindicações sejam ouvidas por muito tempo, caso contrário poderia significar que os chineses poderiam imitar os protestos'', acrescenta.
''Para eles, a solução mais fácil é seguir com seus velhos métodos: uma repressão violenta seguida de uma pressão política intensa'', declarou Kate Saunders, da associação Campanha Internacional para o Tibete.
Exilado há 49 anos em Dharamshala, norte da Índia, o Dalai lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, denunciou a repressão das autoridades comunistas chinesas e pediu uma investigação internacional sobre os acontecimentos dos últimos dias em Lhasa.
As autoridades chinesas ''fazem uso unicamente da força para conseguir um simulacro de paz, uma paz alcançada através da força, usando para isso um regime de terror'', declarou o Prêmio Nobel da Paz em uma coletiva de imprensa em Dharamsala.
A onda de violência gerou uma multiplicação de pedidos pelo boicote dos Jogos Olímpicos de Pequim, que começam no dia 8 de agosto. Mas o Dalai Lama acha que os Jogos devem acontecer. ''Quero estes Jogos. Os chineses precisam se sentir orgulhosos por isso. A China merece ser anfitriã dos Jogos Olímpicos'', afirmou.

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