A Guerra Fria na península Coreana, pelo menos virtualmente, já virou um anacronismo. Aclamado como um herói de volta a Seul após o histórico acordo inter-Coréias, assinado na quarta à noite em Pyongyang, o presidente Kim Dae-jung revelou ter discutido até mesmo o programa nuclear e de mísseis norte-coreano com o líder Kim Jong-il: ‘‘Foi uma discussão frutífera, que me dá muita esperança.’’
DJ pediu a Kim Jong-il a suspensão do programa norte-coreano e a normalização de relações diplomáticas com Japão e EUA. O mais importante, no entanto, é que no acordo os dois Kim virtualmente eliminam a ameaça de guerra na península: renunciam a lançar uma ofensiva armada contra o outro lado, e prometem caminhar para a unificação através de diálogo.
Os próximos passos incluem a instalação de um telefone vermelho, o fim de um ‘‘comportamento destrutivo’’ e o estabelecimento de um grupo intergovernamental para coordenar uma estratégia gradualista de aproximação.
O governo sul-coreano vai começar pelo mais simples – o que inclui restaurar a ligação ferroviária Norte-Sul. Kim Jong-il aceitou o convite de DJ para uma nova cúpula em Seul e, considerando sua predileção por trens, poderá até mesmo inaugurar o ‘‘trem da unificação’’.
Seul está mergulhada na mais absoluta euforia. Estudantes universitários já organizam projetos voluntários no verão em comunidades rurais norte-coreanas. No acordo de 5 pontos, o item mais popular é que em torno de 15 de agosto, Dia da Liberação, Norte e Sul concordaram em organizar visitas de famílias separadas pela guerra. O governo contabiliza 1,23 milhão de pessoas pertencentes à primeira geração vivendo no Sul. Cerca de 690 mil têm mais de 60 anos de idade. Se filhos e netos são adicionados à conta, o total chega a 7,6 milhões de pessoas.

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