A cidade de Dacar, capital do Senegal, virou o principal local de refúgio dos brasileiros que fugiram da guerra civil na Guiné-Bissau. ‘‘Eu não vi combates nem mortos, mas quando estávamos saindo de casa a caminho do porto, em Bissau, caiu um pedaço de um morteiro numa casa a 30 metros de nós e outro a 50 metros’’, conta o missionário da Assembléia de Deus Ademir Costa, de 43 anos, natural de Cuiabá.
Ademir, que fugiu com a mulher e suas três filhas, conta que o pior perigo foi no porto. ‘‘Os rebeldes tentaram acertar a sede da Marinha, que permaneceu fiel ao presidente, que fica a apenas 150 metros de onde nós embarcamos. A gente ouvia os morteiros serem lançados e todo mundo se abaixava. Quando olhávamos para o mar, víamos os projéteis caindo na água’’.
Ademir foi para Dacar num grupo de 43 brasileiros, num barco de pesca chinês á - o 9303 da Chinese National Fischer Company.
A revolta na Guiné-Bissau começou apenas oito dias depois da chegada de Ademir com a mulher e suas três filhas. Sua esposa, Jenilda Costa, de 46 anos, tinha sido convidada para implantar no país o programa de agentes comunitários de saúde.
Segundo o diplomata César Leite, que trabalha na embaixada do Brasil no Senegal, todos os brasileiros que saem de Bissau passam obrigatoriamente por Dacar. ‘‘Já saíram daqui 26 brasileiros para Portugal, dos quais 19 embarcaram para o Brasil, dois para a Gâmbia e dois para a França’’.
Uma das tarefas da embaixada é manter um plantão dia e noite no porto para receber os refugiados brasileiros. ‘‘A gente fica no porto de Dacar com uma bandeira do Brasil, água, biscoitos e coca-cola. Quando chega alguém, ajudamos a conseguir o visto de entrada e garantimos a assistência consular.’’

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