O Concílio da Igreja ortodoxa russa decidiu ontem por unanimidade canonizar o último czar, Nicolau II, e os membros de sua família, executados pelos bolcheviques em 1918.
O czar Nicolau, sua mulher Alexandra, suas filhas Tatiana, Olga, Maria e Anastasia passarão a fazer parte dos santos do calendário ortodoxo.
‘‘O último monarca ortodoxo russo e os membros de sua família representam para nós pessoas que buscaram com sinceridade encarnar, em sua própria vida, as profissões do evangelho. Nos sofrimentos que suportaram com paciência e resignação, os familiares do czar, desde sua prisão e morte como mártir em Ekaterinburgo (nos Urais), em 17 de julho de 1918, brilha a luz todo-poderosa da fé em Cristo’’, escreveu o Concílio.
A decisão provocou opiniões contrárias dentro da própria Igreja. Seus dirigentes não querem que a canonização do czar seja confundida com um chamado à restauração da monarquia.
‘‘Há opiniões diferentes na Igreja sobre se a família do czar deve ser incluída na comunidade dos santos’’, disse anteontem o patriarca de Todas as Rússias, Alexis II, afirmando esperar que a polêmica não provoque um ‘‘poderoso cisma’’ na Igreja ortodoxa.
Alexis II disse, no mês passado, que o Santo Sínodo levaria ‘‘em consideração a canonização do Czar Nicolau II por sua atroz morte, não por seu reino nem por sua vida’’.
Tal decisão ‘‘não significa de maneira alguma a canonização de uma forma monárquica de governo’’, declarou na quinta-feira o chefe da Comissão Sinodal de Canonização, o metropolita Juvenal.
Na verdade, o czar já foi canonizado em 1982 pela Igreja ortodoxa russa no estrangeiro, que se separou da Igreja de Moscou depois da Revolução de 1917.
Nicolau II será o quarto dirigente do Estado russo canonizado, após Vladimir, o Grande, que cristianizou a Rússia no ano 988; Daniil, chefe do principado de Moscou, e Dimitri Donskoi, que venceu os tártaros.

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