Curitiba - Um abraço apertado da avó Gertrudes, outro da irmã Sue Helen e um ainda mais especial do sobrinho Matheus, de três anos. Com essa recepção bastante calorosa, a publicitária curitibana Mônica Vassão, de 25 anos, que presenciou o furacão Katrina, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, finalmente chegou a Curitiba, cidade onde mora, ontem de manhã.
''Não consigo descrever como estou feliz, ainda mais agora, com meu sobrinho no colo'', disse, sem conseguir falar muito sobre sua triste experiência. Em Curitiba, a família também estava emocionada com a chegada. A avó contou que tinha congelado para a neta um pedaço de bolo de suas Bodas de Ouro, comemoradas no último fim de semana. E, Sue Helen, na pressa de chegar ao aeroporto, esqueceu a faixa de boas-vindas, que acabou sendo colocada em frente à fachada da casa. ''Estou morrendo de saudades'', dizia.
Mônica conta que o pior momento de sua experiência foi a passagem do furacão. ''Eu e minha amiga nos abraçamos e começamos a chorar'', disse ela, que naquele momento, no dia 30 de agosto, encontrava-se abrigada com outras 25 mil pessoas no Estádio Superdome. Ela e a amiga mineira Letícia Figueiredo Alvarez da Silva Campos, de 21 anos, passaram três dias, de 28 a 31 de agosto, abrigadas no estádio, por conta das enchentes provocadas pela passagem do Katrina.
O que mais marcou, para ela, foi ''saber que crianças estavam sendo estupradas naquele local''. ''Foi horrível saber que num momento daqueles tinha gente se matando, brigando, sendo estuprada'', completou. Ela contou, ainda, que jamais imaginaria que os Estados Unidos teriam um atendimento tão precário às vítimas em um caso desses. ''Parecia que eu estava na África, em um país sem condições, mas não nos Estados Unidos'', disse.
Ainda assim, ela está com a passagem de retorno marcada. No próximo sábado, embarca novamente para os Estados Unidos, rumo à Kansas, no estado do Missouri. Ela está no país desde fevereiro e deve ficar por mais cinco meses para concluir um curso de especialização em Design Gráfico e o estudo de inglês, investimento que custou à família US$ 15 mil. ''Lá não tem furacão, só tornado, e só vou viajar depois de saber a previsão da meteorologia'', garantiu.
Mônica já está no Brasil desde o último domingo, mas permaneceu em São Paulo, junto com os pais, que participam da 4 Expo Cristã, no Center Norte. Nesse tempo, lançou uma camiseta, com os dizeres ''Movimento Solidário New Orleans. Eu ajudei as vítimas do furacão Katrina''. A camiseta está sendo vendida na exposição em São Paulo e parte da renda será enviada à cidade norte-americana atingida pelo furacão.

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