Curitiba - A curitibana Mônica Vassão e a mineira Letícia Figueiredo Alvarez da Silva Campos, que estavam entre as 25 mil pessoas ilhadas em Nova Orleans, por conta das enchentes provocadas pela passagem do furacão Katrina, foram resgatadas ontem e levadas para um hotel na cidade. Oitenta por cento da cidade ficou embaixo d'água. As famílias ilhadas estavam desde domingo no Estádio Superdome e convivem com suicídios, desnutrição e fome.
Assustadas, as brasileiras entraram em contato com a família no início desta semana e pediram ajuda da imprensa brasileira e das autoridades para que a transferência dos ilhados para outra cidade fosse agilizada. A publicitária curitibana Mônica Vassão, 25 anos, estava entre os ilhados.
Ela está desde fevereiro deste ano nos Estados Unidos, morando com uma família alemã. Ela cursa pós-graduação em Design Gráfico e está aperfeiçoando o entendimento da língua inglesa. Mônica estava cuidando dos dois filhos dos alemães e dizia que se sentia feliz em Kansas, no estado de Missouri. Há pouco mais de 10 dias, a família alemã viajou e deu férias para Mônica que resolveu conhecer Miami, Disney e Nova Orleans.
Na terça-feira, por volta da 1 hora da madrugada, Mônica ligou para os pais e contou a agonia que estava vivendo em Nova Orleans. ''Quando ela ligou eu fiquei em pânico. Ela me disse para que eu não falasse nada e só a ouvisse. Ela relatou que coisas horríveis estavam acontecendo lá. As pessoas estavam se suicidando por causa do intenso calor, da fome e do desespero. Fiquei chocada. Ela contou que as pessoas estão morrendo desnutridas, como se fosse uma epidemia. Além do vandalismo, mulheres estavam sendo estupradas'', contou emocionada Vera Vassão, mãe de Mônica.
Um grupo de 50 estrangeiros estariam bloqueando a entrada de saqueadores e vândalos no local onde as brasileiras estão alojadas. ''Ela disse que estava tropeçando num amontoado de cadáveres. Suplicou para que a gente ligasse para todos da imprensa e pedíssemos que algo fosse feito para tirá-la de lá. Gritou socorro e não consegui mais contato com ela desde então'', falou emocionada. Vera considera o telefonema como um milagre. Desde então, os pais de Mônica estão entrando em contato com jornalistas de todo o mundo. O cônsul do Brasil em Houston, Carlos Alberto de Azevedo Pimentel, também foi acionado.
''Não dá para se ter uma noção de quantas pessoas estão vivas dentro do estádio. É um filme de terror. Imagine cenas horríveis. Eu me sinto incapacitada. Só queria ouvir a voz dela neste momento. Tenho certeza que ela vai querer voltar para casa. Ela não terá condições psicológicas de permanecer nos Estados Unidos depois disto'', aconselhou a mãe. O pai, também publicitário e músico, Josemil Vassão, estava otimista com os resultados das entrevistas e dos pedidos feitos para as autoridades brasileiras e estrangeiras. ''Espero que até o fim-de-semana, ela já esteja conosco'', afirmou.

mockup