Curitiba - O anúncio da piora no estado de saúde do Papa João Paulo II levou muitos católicos às igrejas de Curitiba, ontem. Na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na tradicional celebração pelos doentes, que acontece ao meio-dia das sextas-feiras, os fiéis rezaram pela melhora do Pontífice. Uma outra corrente de oração ocorreu na missa celebrada às 18 horas. A partir da meia-noite, os católicos fariam vigília.
O economista Márcio Henrique Coelho, 38 anos, que já tem o hábito de frequentar, semanalmente, as missas da Igreja do Perpétuo Socorro, disse que ontem a celebração teria um sentido especial. Para ele, o Papa representa ''aos cristãos com vinculação católica, a esperança de uma diretriz firme com relação à família e uma tentativa de equilíbrio entre o supermoderno e a questão religiosa''.
Como durante à tarde, a imprensa italiana anunciava a morte cerebral do Papa, a aposentada Aliette Dallastella Pinto, 72, já lamentava a perda. ''Infelizmente, nosso Papa querido se foi'', disse.
Em sua vinda para o Brasil, na visita que começou no dia 30 de junho de 1980, em Brasília, o Papa João Paulo II passou por 14 cidades em 13 dias. Entre as capitais visitadas, Curitiba, onde rezou uma missa no Centro Cívico e depois se reuniu com imigrantes poloneses no Estádio Couto Pereira, no Alto da Glória.
Quando esteve em Curitiba, o Papa João Paulo II declarou ter ficado impressionado com a união e integração dos povos imigrantes à cidade que os acolheu. ''Aqui encontram-se os portugueses, os italianos, os ucranianos, os alemães, os japoneses, os romenos, os espanhóis, os sírios, sem falar daqueles em cujas veias corre um sangue polônes como o meu. Tenho a impressão de que não vi, em nenhum outro lugar, os imigrantes, seus filhos e netos sentirem-se tão ligados à terra que os recebeu. (...) Hoje, apresenta-se aos meus olhos uma fusão extraordinária de uma mistura de raças em uma nova unidade'', afirmou (transcrição extraída do site da embaixada polonesa no Brasil).
A passagem do Papa por Curitiba despertou o interesse em criar espaços que representassem os imigrantes poloneses e seus descendentes. Cinco meses depois da visita, Curitiba ganhou o Bosque do Papa, no bairro Centro Cívico. No local foi instalada uma casa de madeira construída em 1883. A casa, que foi abençoada por João Paulo II, tornou-se o Santuário da padroeira da Polônia Nossa Senhora de Czestochowa.

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