Curdos votam para obter independência
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domingo, 30 de janeiro de 2005
Laurent Lozano<br>France Presse 
Suleimaniya, Iraque Um ambiente alegre reinava ontem, no Curdistão iraquiano, poucas horas antes das eleições que, para muitos, constituem a primeira etapa no caminho à independência de uma região que já é autônoma.
Enquanto em outras regiões do Iraque o medo reina nos locais de votação, a rua principal de Suleimaniya, uma das capitais do Curdistão iraquiano, foi ocupada nos últimos dias por barulhentas e entusiasmadas manifestações.
No Curdistão não existem dúvidas sobre o resultado. O que importa à União Patriótica Curda (UPC) e ao Partido Democrático Curdo (PDC), a segunda organização da área, que administra de forma hegemônica a outra parte da região, é que os curdos votem em massa.
Quase dois milhões de curdos estão convocados a participar das eleições, que para eles também são históricas. Ao contrário dos outros iraquianos, os curdos já tiveram a experiência de duas eleições livres, em 1992 e 1999, depois que conseguiram se livrar da opressão da ditadura de Saddam Hussein em 1991. Porém, essa é primeira vez em muito tempo que os curdos contribuem com seu voto para a construção política do Iraque.
Enquanto em outras regiões a participação dos eleitores representa uma preocupação, no Curdistão a votação deve ser expressiva, apesar da região também estar sob forte vigilância, sobretudo por parte dos combatentes curdos ou peshmergas, que relegam os americanos a um segundo plano.
Os curdos não elegem apenas a Assembléia Nacional Transitória iraquiana e os conselhos de governo. São os únicos que designarão os 111 membros de uma Assembléia Regional, instituída em 1992.
O PDC e a UDC, que se enfrentaram em uma guerra civil em meados dos anos 90, formaram uma lista comum. Sua preponderância não será colocada em dúvida no Curdistão.
Porém, os dois movimentos também fizeram todo o possível para ter peso nas decisões que serão adotadas no Iraque, mobilizando seus eleitores, que tradicionalmente comparecem em massa às urnas.
Os curdos desejam obter a maior quantidade possível de vagas na Assembléia Nacional e se impor como aliados ainda mais indispensáveis frente aos xiitas, cuja vitória parece indiscutível.
Tanto o PDC como a UPC prometeram durante toda a campanha que desejam um Iraque democrático e federal e que não possuem aspirações separatistas, algo que preocupa os vizinhos do Iraque, como Turquia e Irã.
Porém, muitos não acreditam na sinceridade dessas afirmações, já que um referendo sobre a independência acontecerá no mesmo dia das eleições gerais.


