Curdos pedem júri imparcial para líder
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 1999
France Presse 
Abdulá Ocalan deve ser julgado por um tribunal internacional, assinalou num comunicado a Frente Nacional de Libertação do Curdistão (ERNK, ala política do PKK), recebido ontem na redação da AFP em Atenas. Nosso presidente deve ser julgado unicamente por um tribunal internacional, um tribunal imparcial, declarou no texto Osman Ocalan, irmão de Abdulá Ocalan.
O Estado turco não pode pedir contas ao nosso presidente nem ao nosso povo, acrescentou o comunicado. O Estado turco é que deve se explicar por ter assassinado até agora milhares de curdos que foram arrancados de suas terras, continua o texto.
France PressePrisõesPoliciais ingleses prendem manifestantes diante da embaixada gregaPor outro lado, o líder separatista curdo Abdullah Ocalan apresentou um protesto formal contra a Turquia ante o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, como informou ontem a corte com sede em Estrasburgo, na França. Ocalan, que foi preso no Quênia, há três dias, acusa o governo turco de ter violado as leis contra tortura, as garantias fundamentais de liberdade e segurança e o direito a um julgamento justo. O líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão pode ser condenado à morte. O Conselho da Europa encaminhou um pedido às autoridades de Ancara para que Ocalan seja submetido a um julgamento justo e reiterou seu apelo para que esse país suspenda a aplicação da pena de morte. Para que a petição do líder curdo seja aceita, será preciso provar a participação direta das autoridades turcas na operação que culminou com seu traslado para a Turquia e as supostas torturas a que ele teria sido submetido terão que ser comprovadas por atestado médico.
Apelo ao Papa O advogado italiano de Abdullah Ocalan, Giuliano Pisapia, pediu ontem ao Papa João Paulo II que intervenha à favor do líder separatista curdo. O que está em jogo não é só a vida, a segurança e a dignidade de uma pessoa, mas sim a de todo um povo, escreveu Pisapia ao Papa.
Quando os direitos humanos são violados, não deveria haver diferenças entre direita e esquerda nem entre laicos e religiosos, afirmou o advogado.


