A comunidade curda fez ontem novos protestos e ocupações de representações estrangeiras para chamar a atenção para sua causa. Um policial canadense ficou gravemente ferido durante uma manifestação de 50 curdos em Montreal. Um outro grupo ocupou por três horas, em Berna, Suíça, a secretaria-geral do Partido Radical Democrático (PRD), tomando dois reféns.
Em Paris, 20 ativistas curdos invadiram a sede da Unesco, o órgão da ONU para educação, cultura e ciência, enquanto outros 400 permaneciam diante do prédio. Segundo um porta-voz da Unesco, eles exigem que a entidade intervenha para que Ocalan tenha bom tratamento e julgamento justo.
Um jovem curdo de 15 anos, que participava, ontem, de um protesto no sul da Turquia contra a prisão do líder rebelde curdo, Abdullah Ocalan, morreu ao levar um tiro quando a polícia disparou para dispersar cerca de 200 manifestantes, em Kiziltepe. Segundo o governo regional, alguém na multidão atirou nas forças de segurança, que reagiram. Mas entidades de defesa dos direitos humanos informaram que os policiais abriram fogo contra a multidão. Um manifestante e quatro agentes ficaram feridos e mais de 50 pessoas foram presas.
Ocalan foi sequestrado por forças especiais turcas na segunda-feira em Nairóbi, quando tentava deixar o Quênia. Fazia 12 dias que estava escondido na casa do embaixador grego e teria sido convencido a deixar o local com base na falsa informação de que as autoridades quenianas o colocariam num avião com destino à Holanda.
O mal explicado papel da Grécia e do Quênia no episódio provocou violentas manifestações contra mais de 20 missões diplomáticas desses países e o Consulado de Israel em Berlim, no qual três ativistas curdos foram mortos quando tentavam ocupar o local (o serviço secreto de Israel teria colaborado na captura). Além disso, três ministros gregos renunciaram na quinta-feira.
Ontem, um jornal turco revelou que o primeiro-ministro Bulent Ecevit confirmou que a Turquia recebeu informações de outro país sobre o paradeiro de Ocalan, mas não deu detalhes.
A advogada alemã de Ocalan, Britta Boehler, disse ontem que nove advogados turcos de etnia curda que se disseram dispostos a defendê-lo foram presos ontem na Turquia. ‘‘Essa é uma prova de que as autoridades turcas não permitirão que ele escolha os próprios advogados. Ecevit já disse que o Estado nomeará um defensor público para ele’’, disse Britta.France PresseMilhares de manifestantes protestam, no centro de Hamburgo, contra a prisão do líder curdo na TúrquiaReuters

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