Curdos avançam contra jihadistas no Iraque
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segunda-feira, 18 de agosto de 2014
France Presse 
Erbil, Iraque - Forças curdas apoiadas por aviões militares americanos mantinham ontem ofensiva contra jihadistas do Estado Islâmico (EI), depois de terem tomado o controle da represa mais importante do Iraque, em um contexto de crescente envolvimento militar de Washington e Londres.
Diante das ameaças sofridas pelos cristãos e por outras minorias, o papa Francisco pediu uma ação coletiva da Organização das Nações Unidas (ONU) para "impedir a agressão injusta", e se disse "disposto" a ir ao Iraque, se necessário, para levar alívio a dezenas de milhares de deslocados.
A retomada da represa de Mossul, no norte do Iraque, foi o maior revés infligido aos combatentes do EI desde que lançaram sua grande ofensiva no norte do Iraque em junho, levando as forças de segurança iraquianas a fugir. Um porta-voz da Segurança iraquiana, o tenente-general Qasem Atta, confirmou nesta segunda-feira que a represa de Mossul havia sido completamente liberada graças a uma operação conjunta de "forças antiterroristas (iraquianas) e forças peshmergas (curdas), com apoio aéreo".
Depois de terem retomado no domingo a represa de Mossul, as forças curdas lutavam contra os jihadistas na cidade de Tal Kayf, a sudeste desse local, onde um "pequeno número" de combatentes radicais ainda resiste, indicou um oficial curdo. "Os aviões bombardeiam e os peshmergas avançam", declarou um combatente curdo.
Jornalistas da AFP viram colunas de fumaça em uma área atacada após um sobrevoo de aviões de combate perto da represa situada a 50 km de Mossul, bastião do EI conquistado no segundo dia de sua ofensiva.
De acordo com o Exército americano, 15 ataques atingiram posições do EI nas imediações da represa. No domingo, 14 ataques foram efetuados na mesma região, um dos bombardeios mais fortes contra o EI desde o início dos ataques americanos, em 8 de agosto.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia informado no domingo por meio de uma carta ao Congresso americano a respeito dos ataques, lançados para apoiar as forças iraquianas com o objetivo de recuperar a represa de Mossul.
Segundo Obama, a queda da represa em poder dos jihadistas poderia "ameaçar a vida de muitos civis, colocar em risco funcionários e instalações americanas, incluindo a embaixada em Bagdá, além de impedir o governo iraquiano de fornecer serviços básicos à população do país".
Já o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que os combatentes do EI são uma ameaça direta para o Reino Unido, e se declarou disposto a usar todos os meios para frear seu avanço.
Cameron, em um texto publicado no domingo no jornal "Sunday Telegraph", afirmou que algum grau de envolvimento militar no Iraque se justifica devido à ameaça que a instauração de um estado terrorista representaria para a Europa e seus aliados. O ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, afirmou que o compromisso de Londres com o Iraque não é apenas humanitário e pode durar vários meses.
O Iraque está mergulhado no caos desde que os jihadistas sunitas iniciaram uma ofensiva no dia 9 de junho ao norte de Bagdá, que se estendeu no início de agosto às localidades próximas à região autônoma do Curdistão. Após o lançamento desta ofensiva, as forças curdas tomaram o controle de várias zonas do norte do país abandonadas pelas forças iraquianas e lançaram um projeto de referendo de independência do Curdistão no início de julho.
Em dois meses de violência, as potências ocidentais já enviaram ajuda humanitária às centenas de milhares de refugiados que fugiam dos jihadistas, assim como armas às forças curdas.


