Curaçao atrai mulheres pobres da AL
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sábado, 20 de maio de 2000
Dan Perry Associated Press De Curaçao 
A noite cai em La Mirage, dando um ar militar à bem protegida área com suas habitações, que mais parecem barracões, pintadas em tons de rosa e amarelo o único bordel legal de Curaçao. Através das portas abertas, as mulheres acenam.
Uma das recém-chegadas é Tatiana, uma mulher enfeitada, de cabelos castanho-escuros e 29 anos que vendia maquilagem na Colômbia, ganhando a vida com o namorado e o pequeno filho deles.
Quando ela ouviu sobre a oportunidade em Curaçao um posto avançado holandês no Caribe onde a prostituição é legal, importada e eficiente a idéia em princípio a assustou, mas depois a atraiu.
Eu conclui que negócios são negócios, diz ela, avaliando a praça central da área e suas características dominantes, um bar de cimento cinzento onde as bebidas são distribuídas de forma vagarosa. Suas colegas misturam-se aos clientes homens da ilha, europeus e norte-americanos.
Num portão da cerca, clientes pagam uma pequena taxa de admissão, submetem-se a uma revista e adentram o que é, para muitos, a desorientação da prostituição legal.
O local foi aberto pelo governo meio século atrás para estrangeiros que trabalhavam nas refinarias de petróleo de Curaçao, que é parte da Holanda, onde a prostituição é legal, como é, com algumas restrições, em alguns outros lugares como Dinamarca, Cingapura e alguns condados em Nevada.
A prostituição também é legal em algumas ilhas caribenhas com ligação com a Holanda, como Aruba e St. Maarten. Nesses lugares há a oferta de casas do prazer com bares e alguns quartos, mas nada nas dimensões de La Mirage.
O avô do gerente Alexander Bakhuis veio da Holanda para administrar La Mirage e sua família logo assumiu o comando. O bordéu é um monopólio e Ramon Penzo, assistente do governador-substituto de Curaçao, diz que permanecerá desta forma. Não se trata do tipo de negócio que nós gostaríamos de promover, diz ele.
As pessoas nesta ilha predominantemente católica, com 160 mil habitantes, parecem não se importar muito com La Mirage, talvez porque esteja discretamente escondido próximo ao aeroporto, a uma boa distância do bairro de Punda com suas coloridas edificações holandesas e a ornada mansão do governador. Eu não tenho problemas com isso, diz Frank Ignatia. É para os turistas... de outra forma eles poderiam dar em cima das nossas mulheres.
Depois de dez dias aqui, Tatiana, o nome claramente não colombiano que ela usa, diz que atende em média oito clientes e ganha cerca de US$ 160 por dia. Deste total, ela deduz US$ 60 por dia de aluguel e alimentação. La Mirage paga as viagens até o centro da cidade, exames médicos frequentes e segurança.
Tatiana espera guardar mais de US$ 3 mil por mês, 150 vezes o que ganhava em seu país natal. Sua permissão de trabalho de três meses pode significar um pé-de-meia para a instalação de uma adega na Colômbia, com uma boa sobra.
Ela diz que contou para sua mãe sua aventura em Curaçao, mas não arriscou com seu namorado. Ele acha que eu estou vendendo sapatos num shopping center. É melhor.
Bakhuis diz que está fornecendo um serviço para a ilha, seus turistas e também para as mulheres. Eu não tenho que fazer propaganda. Há muitas garotas que querem vir. Elas nos escrevem uma carta e nós conseguimos os papéis para elas. Quando as garotas voltam para casa elas gastam seu dinheiro e contam para suas amigas, diz ele. Bakhuis rejeita algumas candidatas. Eu tento ter todos os tamanhos e todos os estilos, diz ele.
As prostitutas que trabalham atualmente no local vieram da Venezuela, do Brasil, da República Dominicana e da Colômbia, diz Bakhuis. Na próxima semana, as primeiras garotas vindas do Equador estarão chegando. Ele tem planos para a construção de um bar mais ambicioso e um restaurante.
Para Tatiana, o bar existente, embora nada inspirador, é suficiente. Encostada contra ele, ela avista seu possível primeiro cliente. Ela compra um gin e tônica para ela, mas ele parece evasivo quanto ao real objetivo. Um pouco mais de conversa, um beijo no rosto, um pedido de boa sorte, e ela vai embora.


