Cúpula sul-americana busca a integração
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quinta-feira, 25 de julho de 2002
France Presse 
Guayaquil, EquadorPresidentes e representantes de 12 países participam hoje da abertura da II reunião de cúpula sul-americana, destinada a buscar maior integração regional, num contexto de crise generalizada, vivida com intensidade particular no Brasil e na Argentina. Antes do encontro, que vai até amanhã, os chanceleres da América do Sul analisaram um documento de ''consenso sobre integração, segurança e infra-estrutura para o desenvolvimento'', que será levado aos presidentes ou delegados participantes.
A reunião de cúpula de Guayaquil dará continuidade ao primeiro encontro, realizado há dois anos, em Brasília. Participarão os presidentes de Argentina, Bolivia, Brasil, Colombia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru e Venezuela, ficando de fora os presidentes do Suriname, Ronald Venetiaan, e do Uruguai, Jorge Batlle, por motivos internos.
Sob o estímulo do presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, que busca criar um bloco sul-americano para fazer contrapeso nas negociações com os Estados Unidos sobre a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), o encontro está voltado para o estudo da melhor forma de melhorar a infra-estrutura, para facilitar o intercâmbio na região.
Como resultado da reunião de cúpula de Brasília, foi criada a Iniciativa de Integração da Infra-Estrutura da América do Sul (IIRSA), que identificou mais de cem projetos nas áreas de transporte, energia e telecomunicações, avaliados em 40 bilhões de dólares.
Mas a questão da integração parece estar limitada agora pela repercussão da crise financeira particularmente no Brasil e na Argentina, as duas grandes economias sul-americanas e políticas da região.
A Argentina passa atualmente pela crise econômica mais grave de sua história, estando nas mãos dos credores desde dezembro passado, com os depósitos bancários congelados e a economía semiparalisada depois de quatro anos de recessão.
O Brasil sofre de problemas causados pelo contágio da crise na Argentina mas também pelo crescimento de sua dívida (58% del PIB) e do nervosismo dos investidores ante as eleições de outubro, onde o candidato favorito nas pesquisas até agora é Luiz Inácio ''Lula'' da Silva, de esquerda.
A situação destes dois países espalhou-se como metástase na região, em particular no Uruguai, onde o risco país chegou ao máximo histórico (2.479 pontos).
Mas também existem tumultos políticos na Venezuela, onde a oposição pretende a derrubada, por meios constitucionais, do presidente Hugo Chávez.
A Colômbia prossegue mostrando um difícil panorama da ordem pública, com três grupos irregulares atuantes, mobilizando mais de 300 mil homens, em um violento conflito que poderia se estender, facilmente, a outros países.


