Cúpula reafirmará os compromissos da ONU
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Agência Estado De Washington 
Com a presença de pelo menos 150 líderes mundiais, a Organização das Nações Unidas inaugura amanhã sua primeira Assembléia Geral do século 21. O evento, batizado de Cúpula do Milênio, foi calculado para ser, antes de tudo, um ato político de apoio à própria organização, disse o embaixador do Brasil na ONU, Gelson Fonseca. A presença dos líderes dará um sinal claro do prestígio da ONU e do seu secretário-geral, Kofi Annan, que teve a iniciativa de convocar a reunião.
Segundo Fonseca, problemas logísticos associados ao feriado nacional do 7 de Setembro, que cai bem no meio da reunião, tornaram impraticável a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso. Parte da explicação, não reconhecida oficialmente, pode ser também o fato de o Brasil não estar ocupando um dos assentos rotativos do Conselho de Segurança, o que dificulta uma participação mais destacada do País na cúpula. O vice-presidente Marco Maciel chefia a delegação oficial ao encontro e fará, amanhã, o discurso de cinco minutos reservados a cada país.
De acordo com a minuta da declaração que será divulgada na sexta-feira, os líderes endossarão o fortalecimento do papel da ONU em questões que vão além do tema da segurança e da paz que motivou sua criação, no final da Segunda Guerra Mundial. É fácil ser cínico a respeito desse tipo de encontro e dizer que eles não produzem nada, afirmou na semana passada a vice-secretária-geral Louise Frechette, respondendo às críticas segundo as quais o único efeito visível da Cúpula será o monumental engarrafamento de trânsito que a presença de um número recorde de dignatários, entre eles o presidente cubano, Fidel Castro, provocará em Nova York.
O objetivo de Kofi Annan, o primeiro africano a dirigir a ONU, é que os chefes de Estado e de governo presentes usem a cúpula para reiterar compromissos solenes que seus países assumiram nas várias conferências temáticas, como tirar mais de 1 bilhão de pessoas da pobreza até o ano 2015, garantir que até essa data todas as crianças possam completar a escola primária, reverter a epidemia da Aids até o ano 2010 e melhorar a cooperação internacional para a prevenção dos conflitos armados e a proteção do meio ambiente.
Num relatório que enviou em abril aos 188 países membros da organização, Annan disse que um dos grandes desafios da atualidade é assegurar que a revolução tecnológica e de informação não agrave ainda mais a disparidade crescente entre ricos e pobres. Ao enfrentar essa questão, os líderes retomarão inevitavelmente o grande debate sobre os rumos da globalização.
Paralelamente à Assembléia Geral, os líderes dos 15 países membros do Conselho de Segurança terão uma reunião na quinta-feira para discutir as missões de paz da ONU, especialmente na África. No mesmo dia, os cinco membros permanentes do conselho - Estados Unidos, Rússia, China, Inglaterra e França - também terão um encontro, por iniciativa dos chineses. Não se prevê a discussão da reforma da Conselho de Segurança nessas reuniões.
A Cúpula foi precedida por uma assembléia mundial de líderes religiosos, na semana passada, e será complementada por uma reunião de organizações não governamentais, um Diálogo de Civilizações proposto pelo presidente do Irã, Mohamma Kkatami, e um encontro de presidentes de parlamentos. Haverá, também, centenas de encontros bilaterais entre os líderes presentes em Nova York.


