Jamshid Bairami/France PressePortas abertasArafat é recebido pelo presidente Mohammed Khatami em Teerã: relações até com antigos inimigosPela primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã recebeu ontem 55 chefes de Estado e dirigentes do mundo muçulmano, para o 8º encontro de cúpula da Organização da Conferência Islâmica (OCI), que começará hoje em Teerã. Na reunião de três dias, os dirigentes passarão em revista os problemas da grande e nem sempre bem família islâmica. O maior país xiíta do mundo quer confirmar a normalização de suas relações com o resto do mundo islâmico, em particular os países árabes, majoritariamente sunitas.
O Irã teve uma alegria paralela com seu papel de anfitrião, pelo fato de aparecer como uma derrota para os EUA, partidário do boicote internacional total ao País, acusado de apoiar o terrorismo e de tentar possuir a bomba atômica. Com a reunião, última desse tipo organizada antes do final do século, as autoridades iranianas, e principalmente o novo governo do presidente Mohammed Khatami, esperam limpar a imagem do regime.
Teerã, que durante muito tempo manteve frias relações com o mundo árabe-muçulmano, preocupado com o discurso iraniano sobre ‘‘a exportação’’ de sua revolução, pôs em andamento há um ano uma estratégia apaziguadora com vizinhos. Entre 5 mil e 6 mil pessoas são esperadas. As autoridades iranianas não escondem sua satisfação pelo que consideram já um sucesso sem precedente para sua diplomacia.
Até ArafatPaíses antes considerados ‘‘inimigos acérrimos’’ do Irã islâmico decidiram enviar delegações. O presidente da Autoridade palestina, Yasser Arafat, até bem pouco tempo considerado um ‘‘traidor’’ pelo Irã por ter aceitado negociar com Israel, voltou a pisar solo iraniano ontem, pela primeira vez em 18 anos. O secretário geral da ONU, Kofi Annan, e o secretário da Liga Árabe, Abdel Méguid, visitam pela primeira vez este país.
O encontro será inaugurado hoje com um discurso do Guia da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, número 1 do regime. Os ministros de Relações Exteriores dos países-membros têm 142 resoluções para a cúpula. Serão debatidas as relações com Israel, Afeganistão, os problemas do Iraque e o conflito na Cachemira.
Também se discutirá que lugar ocupam os países islâmicos no mundo, às vésperas do próximo milênio, e se tentará esboçar um mercado comum muçulmano. Depois da reunião, o Irã assumirá a presidência da OCI durante os três próximos anos, em substituição ao Marrocos.

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