O primeiro-ministro israelense Ehud Barak expressou ontem esperanças de que na próxima semana seja dado ‘‘um primeiro passo’’ para a paz e a segurança, durante a reunião de cúpula de Camp David (Estados Unidos).
‘‘Espero que na próxima semana seja dado em Camp David um primeiro passo que aproximará Israel da paz e da segurança’’, afirmou Barak durante cerimônia militar em Latrun, na ‘‘linha verde’’ que separa Israel da Cisjordânia. ‘‘Israel está hoje numa encruzilhada histórica’’, acrescentou Barak.
Enquanto fazia este discurso, centenas de colonos do assentamento de Efrat, perto de Belém, sul da Cisjordânia, faziam manifestação em frente da residência oficial de Barak em Jerusalém, informou a rádio pública.
Pouco antes, ouvido sobre as possibilidades de êxito da reunião de cúpula, Barak foi prudente. Estimou-as em ‘‘50%, como quando jogamos cara ou coroa’’, reafirmando a intenção de só firmar um acordo se estiver ‘‘convencido de que fortalece Israel e sua segurança’’.
A reunião de cúpula entre o dirigente palestino Yasser Arafat, o primeiro-ministro israelense e o presidente americano Bill Clinton, será realizada a partir de terça-feira, 11 de julho, em Camp David, perto de Washington, onde Egito e Israel negociaram a paz em 1978.
Os palestinos querem uma ajuda de US$ 40 bilhões, em caso de acordo de paz com Israel em Camp David, disse ontem à noite um conselheiro do líder palestino Yasser Arafat.
Mohammed Rachid, conselheiro econômico, disse a imprensa em Ramalá, na Cisjordânia, que essa ajuda seria em grande parte destinada aos refugiados palestinos.
Arafat participará, a partir de 11 de julho, de uma cúpula com o primeiro-ministro Ehud Barak e o presidente americano Bill Clinton em Camp David, perto de Washington.
Segundo Rachid, dos US$ 40 bilhões pedidos, os palestinos dedicariam de 8 a 12 a obras de infra-estrutura, de 4 a 5 às finanças públicas, 1,5 ao sistema de seguridade social e o restante (entre 21,5 e 26,5 bilhões) aos refugiados que perderam as casas quando Israel ocupou terras palestinas.
O conselheiro, que fará parte da comissão de 50 delegados palestinos em Camp David, disse que Israel deve contribuir para ‘‘tranquilizar sua consciência’’.
Em caso de progressos em Camp David, Rachid assegurou que os palestinos poderiam fazer concessões sobre os temas dos colonos israelenses e deu a entender que poderiam atrasar a data da independência, fixada unilateralmente para 13 de setembro. ‘‘Suponhamos que em 10 de setembro, comecemos a ver uma luz no fim do túnel, e possa-se prever progressos para entre três e quatro semanas, então tomaríamos uma decisão inteligente’’, disse ele.

mockup