Cúpula estuda os resultados da Rio-92
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Moisés Rabinovici Agência Estado Nova York 
A hora da verdade chegou após cinco anos de discussão ambiental desde a Rio-92: Brasil, Alemanha, Cingapura e África do Sul lançaram ontem uma iniciativa com propostas concretas para reduzir diferenças entre o Norte e Sul que ameaçam o futuro da Terra. Queremos dar um exemplo de como países em diferentes graus de desenvolvimento podem demonstrar, com criatividade e ação concertada, a determinação política de transformar a Agenda 21 numa realidade concreta - antecipou o presidente Fernando Henrique Cardoso, no discurso de abertura da sessão especial da ONU convocada para avaliar os resultados da Rio-92.
O chanceler alemão Helmut Kohl, num discurso pouco depois, disse que o objetivo da iniciativa conjunta de países dos quatro continentes é o de mostrar que as nações ricas podem juntar-se ao mundo em desenvolvimento em questões vitais, como as do meio ambiente.
A hora da verdade do ministro brasileiro de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Amazônia Legal, Gustavo Krauze, começa com a proposta de inclusão da nova problemática de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental na carta das Nações Unidas, que está sendo reformulada, dando-lhe força política, até agora inexistente.
Por uma segunda proposta, com execução a médio prazo, seria criado um substituto ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com o formato de organização mundial. O presidente Fernando Henrique ofereceu o Rio como ponto focal para a opinião pública internacional em torno do desenvolvimento sustentável.
A terceira proposta também estava contida numa insinuação dos discursos do Brasil e Alemanha. A pobreza e a degradação ambiental, particularmente nas áreas urbanas, continuam a prejudicar a qualidade de vida de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo - explicou Fernando Henrique para quem Há uma agenda ambiental urbana tão importante quanto a agenda verde.
O quinto ponto da iniciativa conjunta trata da implementação plena da Convenção sobre Diversidade Biológica. A novidade é a intenção de montar uma rede de áreas protegidas com grande diversidade biológica. Foi sobre as florestas que ocorreu talvez o maior avanço desde a Rio-92. O Brasil deixa agora de ser inflexível: dispõe-se a discutir as opções consideradas num Painel Intergovernamental sobre Florestas.


