Os quinze chefes de Estado e de governo da União Européia começarão hoje, em Amsterdã, uma das mais delicadas reuniões comunitárias, às vésperas de uma fase decisiva de sua existência, quando medidas concretas deverão ser anunciadas e o Pacto de Estabilidade assinado, para viabilizar a implantação da moeda única, o euro. As fissuras constatadas no eixo franco-alemão, principal motor da construção européia, provocadas pela chegada dos socialistas ao governo da França, há apenas oito dias, ameaçam desacelerar o processo.
Isso explica a multiplicação de contatos nessas últimas 48 horas entre Paris, Bonn, Amsterdã e Bruxelas, desde que o presidente Jacques Chirac e os primeiros ministros da França e Alemanha, Lionel Jospin e Helmut Kohl se separaram sem chegar a um acordo, na última sexta-feira. Bonn não aceitou a proposta francesa de criar um ‘‘governo econômico’’ para coordenar as políticas econômicas, orientando-as na direção de criação de empregos.
Anteontem, exercitando ‘‘a coabitação à francesa’’, o presidente Chirac reuniu-se com Lionel Jospin e os ministros socialistas da Economia, Dominique Strauss Kahn, e o do Exterior, Hubert Vedrine, para afinar suas posições. Dessa forma, hoje, na Holanda, a França terá uma única voz, mas dois porta-vozes, o que revela que a coabitação, apesar de muito recente, funciona satisfatoriamente. Ao mesmo tempo, Jacques Delors, ex-presidente da Comissão Européia, próximo dos socialistas, esteve na Alemanha, tentando convencer seus parceiros, a aceitar a inclusão de um complemento social e econômico ao Pacto de Estabilidade, o que até agora o chanceler Kohl tem rejeitado com vigor. Apesar das dificuldades, franceses e alemães buscam sinceramente um terreno comum, pois ambos temem ser responsabilizados por uma ruptura. Por isso, o chanceler Kohl reafirmou, hoje, que a unidade do eixo franco-alemão será mantida em Amsterdã. Na mesma linha se manifestou o ministro do Exterior, Klaus Kinkel.
Os quinze ministros de Finanças reunidos na noite de ontem em Amsterdã, estudavam um texto que poderia satisfazer alemães e franceses. Os governantes da União Européia aprovariam um documento paralelo, prevendo uma reunião de cúpula sobre o emprego, no mês de outubro e uma reorientação do Banco Europeu de Investimentos para apoiar medidas em favor da criação de empregos nos países da comunidade.
Em artigo publicado ontem no ‘‘Journal de Dimanche’’, também o ministro do Exterior Britânico, Robin Cook, esclareceu a posição dos trabalhistas: ‘‘Antes de tudo, devemos dar prioridade ao problema do emprego. Nós propusemos Conselho de Ministros que trate dois aspectos em regime de urgência: como melhorar as qualificações e acesso ao emprego’’. Em seu artigo, ele insiste na idéia de imaginar outras maneiras de dar trabalho a todos, manifestando-se à inclusão de um ‘‘capítulo social’’. Ele está convencido de que chegou a hora de conectar a Europa dos chefes e das instituições à Europa dos povos: ‘‘Precisamos apresentar respostas às preocupações dos cidadãos e adquirir sua confiança. É isso que buscamos em Amsterd㒒. Como se vê, os trabalhistas britânicos parecem bem mais afinados no plano social com os seus colegas franceses do que com os alemães de Helmut Kohl, mais isolados na sua posição monetarista.

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