Cúpula do Milênio começa hoje
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Agência Estado De Washington 
O presidente norte-americano Bill Clinton abrirá hoje a Cúpula do Milênio na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, determinado a usar o evento - o maior encontro de chefes de Estado e governos da história - para recolocar o processo de paz entre israelenses e palestinos na reta final de um acordo permanente.
Clinton usará a maior parte dos três dias que passará em Nova York para tentar convencer o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, a resolver as diferenças que não conseguiram superar durante a maratona de negociações que realizaram há dois meses em Camp David.
O conselheiro de segurança da Casa Branca, Samuel Berger, disse que não há planos para um encontro entre Clinton, Barak e Arafat nem expectativa de uma solução esta semana. A menos que haja progresso e avanços decisivos esta semana, penso que ficará cada vez mais difícil imaginar um cronograma realista, disse.
Uma data importante é a próxima quarta-feira, dia 13, o prazo fixado pelos acordos de Oslo, em 1993, para um tratado de paz definitivo entre israelenses e palestinos.
Mas, segundo Berger, o momento mais importante ocorrerá no final do mês que vem, quando o Knesset, o parlamento de Israel, retomará suas atividades.
Dada a crescente hostilidade do Knesset aos esforços de paz de Barak, a expectativa é que a oposição punirá o primeiro-ministro pelas concessões que ele se dispôs a fazer aos palestinos, derrubando seu governo.
Mas, se até lá ele tiver conseguido resolver as diferenças com Arafat no principal ponto de discórdia - o status de Jerusalém, que as duas partes reivindicam como capital -, Barak poderá virar o jogo e passar à ofensiva, convocando eleições antecipadas nas quais teria boas chances de neutralizar a oposição, transformando o pleito num referendo ao acordo de paz.
Esses avanços no processo de paz do Oriente Médio certamente reforçariam o conteúdo e o significado da Cúpula do Milênio, que reunirá mais de 150 líderes durante três dias para discutir a paz internacional e lançar um assalto frontal contra a pobreza e a epidemia de Aids, bem como reafirmar o compromisso que os países participantes já fizeram em conferências internacionais para universalizar a educação primária.
A reunião é uma iniciativa do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para realçar o papel da orfanização no limiar do novo século. O pano de fundo do evento é a globalização, seus benefícios potenciais e os riscos que ela apresenta de agravamento das desigualdades sociais entre as nações industrializadas e em desenvolvimento e dentro dos países.
O Banco Mundial, que divulgou um alarmante estudo em setembro do ano passado sobre o fosso crescente entre ricos e pobres, reforçará a mensagem da Cúpula do Milênio na próxima semana com a publicação de um Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2000/2001 dedicado ao Ataque à pobreza.
Com nada menos de 91 manifestações programadas para os próximos três dias em Manhattan, a chegada dos presidentes, reis e primeiros-ministros começou hoje a produzir o que promete ser o maior congestionamento de trânsito da história.


