Cúpula do G8 termina com contradições
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quarta-feira, 09 de julho de 2008
Agência Estado 
Sapporo, Japão- Sem propostas efetivas para minorar o aquecimento global, evitar uma escalada inflacionária no mundo e uma crise sem precedentes na área de alimentos e energia, a reunião de cúpula das sete maiores economias e da Rússia, o G8, terminou ontem com um superávit de atropelos e contradições e com um estoque de documentos que muito pouco acrescentou aos debates sobre desafios atuais.
A pior gafe partiu da Casa Branca, que descreveu o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, como líder ''controverso'' e ''amador em política'' em uma biografia sucinta distribuída aos jornalistas que acompanharam a viagem do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Japão. Alarmados pela reação do governo italiano, na última terça-feira, os EUA pediram desculpas, por meio de comunicado oficial, para corrigir o deslize.
No auge do verão (no Hemisfério Norte), o encontro deste ano reuniu 22 chefes de Estado, incluindo os convidados, em uma estação de esqui às margens do Lago Toya, na ilha de Hokkaido, a mais meridional do Japão. O local atendeu perfeitamente à obsessão do G8 - grupo composto pelo Japão, EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Rússia - por segurança e distância das manifestações de organizações não-governamentais e da imprensa mundial.
Os protestos ficaram restritos a cidades mais de 100 quilômetros distantes da estação de esqui, protegida por um contingente de 20 mil policiais. Cuidadosamente, o governo japonês tudo fez para evitar o contato da imprensa com as delegações e, mais ainda, com os chefes de Estado. Ontem, para acompanhar os encontros bilaterais, parte dos jornalistas acabou confinada em uma tenda branca construída ao lado do resort. No momento da foto oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu seu ritual já conhecido de deixar os colegas esperando.


