O presidente americano, Bill Clinton, convocou para o princípio da semana próxima em Camp David o premier israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, para buscar um caminho à paz no Oriente Médio.
Um alto funcionário do Governo de Clinton, próximo às negociações, informou que a cúpula começaria terça-feira e que os negociadores se reuniriam durante o fim de semana para prepará-la.
Washington espera assim conseguir um entendimento sobre as delicadas divergências referentes ao estatuto final da Cisjordânia e da Faixa de Gaza: os refugiados, as fronteiras de um futuro Estado palestino e Jerusalém.
‘‘O premier Barak e o presidente Arafat virão a Camp David no começo da próxima semana’’, disse Clinton numa coletiva na Casa Branca.
‘‘É a única maneira de progredir’’, assinalou. ‘‘O objetivo é alcançar um acordo sobre temas fundamentais que porão fim a meio século de conflito entre israelenses e palestinos’’, explicou.
A cúpula não deve durar mais de uma semana, já que Clinton planeja deixar Washington a 19 de julho para viajar ao Japão, a fim de assistir à cúpula do G-8 na ilha de Okinawa, que começa a 21 de julho.
O chefe da Casa Branca se mostrou prudente, assinalando que ‘‘ainda estão em suspense divergências significativas, relativas às questões mais complexas e sensíveis’’. Acrescentou que ‘‘vindo aqui e aceitando o desafio, Barak e Arafat mostraram que estão dispostos a correr riscos para alcançar a paz.’’
Segundo ele, os dois dirigentes compreenderam que novos adiamentos podem agravar a situação na região.
Dirigindo-se diretamente ao ‘‘povo israelense’’ e ao ‘‘povo palestino’’, reconheceu que ‘‘a paz sempre tem um preço’’ e que nenhuma das duas partes pode obter ‘‘cem por cento de seus objetivos’’.
Barak, atualmente em Paris, evocou ontem sua ‘‘pesada responsabilidade’’, assinalando que um eventual acordo ‘‘permitirá separar israelenses e palestinos e será submetido a referendo em Israel’’.
Do lado palestino, um dos principais negociadores e presidente do conselho legislativo, Ahmed Qore, se mostrou pessimista, qualificando de ‘‘muito limitadas, senão nulas’’ as possibilidades de êxito na cúpula, ‘‘que não foi preparada de maneira conveniente’’.

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