Cúpula define prioridades da ONU
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de setembro de 2000
France Presse De Nova York 
A maior reunião de líderes da história concluiu ontem com a determinação de modernizar a Organização das Nações Unidas (ONU) para que possa enfrentar os novos flagelos mundiais, o aquecimento do planeta e a Aids, assim como os velhos males da pobreza e da guerra.
A Declaração do Milênio, que descreve a ONU como o indipensável local comum de toda a família humana, foi o último ato de uma Cúpula de três dias na qual estiveram representados 185 membros da organização; 147 por seus chefes de Estado ou de Governo.
O documento diz que os líderes não pouparão esforços para liberar a Humanidade da guerra, da extrema probreza, da ameaça de desastre ambiental e para promover a democracia e o império do direito.
A declaração marca objetivos específicos para salvar milhares de milhões de pobres até o ano 2015:
Reduzir pela metade a proporção da população mundial sem acesso à água potável (atualmente 20%) e que dispõe para viver menos de um dólar por dia (22%).
Assegurar o acesso de todas as crianças à educação primária.
Reduzir em menos de três quartos a taxa de mortalidade materna e em dois terços a de mortalidade infantil.
Deter e reverter o avanço do vírus HIV e fazer frente à Aids, à malária e outras enfermidades.
Fornecer assistência especial aos órfãos da Aids.
A Declaração do Milênio é fixada com uma meta para alcançar até o ano 2020 uma significativa melhoria na vida de pelo menos 100 milhões das pessoas que vivem em bairros pobres.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que com a moderna tecnologia essas metas são alcançáveis.
Em uma época na qual os seres humanos conhecem o código da vida humana e em segundos podem transmitir seus conhecimentos de um continente a outro, nenhuma mãe pode entender por que seu filho morre de má nutrição ou por doenças que podem ser prevenidas, disse Annan ao inaugurar a Cúpula.
A declaração também promete impulsionar ações contra as ameaças ao ambiente e diz que não serão poupados esforços para promover a democracia e o império da lei.
O documento defende o combate a todas as forças de violência contra a mulher e a implementação da Convenção para a eliminação de qualquer forma de discriminação contra as mulheres. Essa Convenção é um dos 25 instrumentos legais firmados ou ratificados por dezenas de chefes de Estado ou de Governo durante a Cúpula iniciada na quarta-feira, na sede da ONU.
Também durante a Cúpula, o Conselho de Segurança reuniu-se a nível de chefes de Estado e de Governo e ontem aprovou um informe no qual clama reformas para fortalecer a ONU em sua tarefa de vigilância da paz.
Annan ordenou o informe depois investigações realizadas depois de dois grandes desastres sofridos pela ONU: seu fracasso em evitar o genocídio de Ruanda, em 1994, o massacre que, em 1995, tirou a vida de 7 mil muçulmanos em Srebrenica, Bósnia.
O tema foi tratado com mais urgência quando este ano os rebeldes de Serra Leoa sequestraram centenas de soldados da ONU que foram enviados para restaurar a paz depois de uma sangrenta guerra civil.
A Declaração do Milênio defende a solução das necessidades da África, apoio às emergentes democracias e ajuda às organizações regionais para evitar conflitos. Promete um confiável fluxo de recursos para garantir a paz no continente.
Antes da sessão final da Cúpula, os 54 membros do Conselho Econômico e Social da ONU realizaram uma reunião de chefes de Estado e de Governo a fim de estender pontes sobre o abismo que separa os países ricos dos pobres.


