Cúpula termina sem decisões significativas. Clinton, Barak e Arafat decidem negociar pontos mais sensíveis em segredo
France PresseBill Clinton homenageia Rabin: ‘‘Se estivesse vivo diria: ‘‘Isto está certo, mas, na realidade, se querem me homenagear, melhor terminar o trabalho’’. Leah Rabin (destaque), que organizou a cerimônia, pediu aos líderes presentes que ‘‘terminem o que o marido começou’’
Jan T. Skjelbek
Inter Press
De Oslo, Noruega
A conferência de cúpula, realizada na capital da Noruega, entre a Autoridade Nacional Palestina (ANP), Israel e Estados Unidos, terminou nesta terça-feira sem anúncio sobre decisões significativas, apesar do compromisso de israelenses e palestinos de continuarem sua negociação de paz.
Os presidentes Yasser Arafat, da ANP, e Bill Clinton, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, afirmaram que o encontro foi positivo, depois de uma longa paralisação do processo de paz. Também explicaram que evitarão as declarações públicas que possam prejudicar essas negociações, que continuarão, agora a cargo de funcionários de alto nível.
O processo de paz entre israelenses e palestinos só avançou alguns passos desde seu início formal, há seis anos, e Clinton, seu principal patrocinador, está empenhado numa corrida contra o tempo para apagar o pavio no Oriente Médio antes do fim de seu segundo mandato, em 2001.
Por sua vez, Arafat tem pressa em conseguir a criação de um estado palestino independente, pelo qual luta há 50 anos. Arafat confirmou em Oslo seu firme desejo de alcançar a paz definitiva com Israel. ‘‘Não buscamos um objetivo impossível, mas apenas desejamos a implementação de acordos já assinados’’, acrescentou. Arafat reiterou que os palestinos esperam que Israel abandone os territórios que ocupou em 1967 e desmantele os assentamentos judeus nesses locais.
O motivo formal da conferência foi uma cerimônia em homenagem a Yitzhak Rabin, assassinado em 4 de novembro de 1995 por um extremista judeu. Rabin é considerado um dos arquitetos do processo de negociações, tendo recebido o prêmio Nobel da Paz em 1994, junto com Arafat e o ex-chanceler israelense Shimon Peres.
A iniciativa da cerimônia de homenagem foi da viúva do ex-chefe de governo, Leah Rabin. ‘‘É triste estar aqui quatro anos depois de seu assassinato. Espero que a reunião de Oslo recorde a obrigação de prosseguir com o processo de paz, que começou aqui. Em Israel, Oslo sempre estará associada à paz’’, afirmou Leah.
As conversações na capital norueguesa serviram como início de uma nova rodada de negociações de paz, algo que Clinton tentou desde o começo da reunião, quando afirmou que a reunião deveria ‘‘dar energia ao processo’’.
Arafat, Barak e Clinton mantinham estreitos vínculos com Rabin e comoveram-se profundamente durante o discurso de sua viúva. Clinton ficou com os olhos úmidos quando ela disse que ‘‘agora, o compromisso de vocês é encontrar a fórmula correta para terminar o que meu marido começou e pelo que pagou com a vida. Depende de vocês. Isto é pedir muito?’’, perguntou.
Passaram-se quase sete anos desde o começo, em janeiro de 1993, da primeira rodada de negociações em Oslo. Insatisfeitos com os escassos avanços conseguidos depois do primeiro diálogo direto entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o governo israelense, realizado em 1991, em Madri, as duas partes começaram a procurar outras vias de contato.
Ao contrário de outras tentativas prévias de diálogo de paz, as causas históricas do conflito ficaram fora das negociações em Oslo. Os participantes da última conferência de cúpula concordaram em que o caráter reservado das conversações foram de interesse de todos.
As conversações iniciais, de 1993 levaram ao Acordo de Paz de Oslo, que deixou assentados os princípios para o estabelecimento gradual da paz entre Israel e os palestinos. O acordo inclui o estabelecimento de uma administração palestina autônoma em algumas áreas da Cisjordânia e de Gaza.
A implementação dos acordos sofreu muitos retrocessos. O Protocolo de Hebron, assinado em janeiro de 1997, o Memorando de Wye River, em outubro de 1998, e o Memorando de Sharm el-Sheikh, de setembro deste ano, foram testemunhas dessas dificuldades.
Nos últimos meses, Barak começou a implementar alguns dos pontos fixados em Wye River, como a libertação de presos árabes e a abertura de uma passagem para que os palestinos transitem entre Gaza e Cisjordânia.
Ainda não foram abordados os pontos mais difíceis, como os assentamentos judeus nos territórios autônomos e ocupados, a constituição de um estado palestino e o destino de Jerusalém Oriental, reivindicada como capital tanto por israelenses quanto por palestinos. As conversações em Oslo esta semana não representaram um avanço no processo de paz, mas quebraram o gelo para as próximas negociações.

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