Cúpula das Américas discute pobreza
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de outubro de 2005
Josefa Suárez<br> France Presse 
Buenos Aires - A pobreza, que atinge 222 milhões de latino-americanos e caribenhos, dos quais 96 milhões são indigentes, estará no centro do debate da Cúpula das Américas, nos próximos dias 4 e 5, no balneário argentino de Mar del Plata, relegando assim o livre comércio a segundo plano.
Dos 512 milhões de habitantes da América Latina e o Caribe, 43% vivem na pobreza e 18,6% têm rendas que não pagam nem a cesta básica, segundo dados de junho passado da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Este cenário transforma a região na mais desigual do mundo, em um continente de contrastes, com norte rico e desenvolvido (Estados Unidos e o Canadá) e sul pobre.
Por isso, o Governo argentino propôs a discussão da marginalização social e o emprego na Cúpula das Américas de Mar del Plata (400 km ao sul da capital), que contará com a presença de 33 chefes de Estado e de Governo.
Esta é a quarta reunião do gênero, após a inaugural de Miami, em 1994, em que o então presidente americano, George Bush (pai do atual, George W.Bush) lançou a idéia de criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Desde então, o livre comércio foi tema de discussões em encontros como este na Bolívia, Chile, Canadá e México. Mas não será na Argentina.
''Criar trabalho para enfrentar a pobreza e fortalecer a governabilidade democrática'' foi o lema escolhido por Buenos Aires para discutir como vencer as desigualdades e melhorar a distribuição da riqueza, no contexto das crises sócio-econômicas da região, que podem colocar em risco a institucionalidade.
''No passado recente, muitos países da região viveram períodos de alto crescimento com baixos índices de geração de emprego, alta concentração de renda e um significativo aumento dos índices de pobreza e indigência'', destacou um documento da chancelaria argentina sobre a Cúpula.
''Isso demonstra que o crescimento econômico é uma condição indispensável e necessária, mas não suficiente para enfrentar as elevadas taxas de desemprego, informalidade e precariedade trabalhistas'', afirmou.
''É preciso dar ao trabalho um lugar central na agenda hemisférica, vinculando-o aos atributos de liberdade, justiça, seguridade e proteção, tendo em conta seu caráter principal veículo de integração social'', afirmou.


