São Paulo- A chamada ''Cúpula da Unidade'', que inclui o Grupo do Rio e a Comunidade do Caribe (Caricom), começou ontem na zona turística de Cancún, no México, com a participação de 32 países da região. O presidente anfitrião, Felipe Calderón, saudou um por um os líderes presentes à reunião antes da cerimônia de inauguração, reservando o último lugar ao governante de Cuba, Raúl Castro.
Um total de 25 chefes de Estado e de governo participam da Cúpula, cujos tópicos principais serão a coordenação da ajuda para a reconstrução do Haiti, o esboço de um novo organismo regional e a briga da Argentina com a Grã-Bretanha pelas ilhas Malvinas. Outros sete países estão representados por seus chanceleres.
Honduras, que estava na lista de 33 países que deveriam participar do encontro, foi excluído por estar suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA) desde o golpe de Estado de junho de 2009 que tirou Manuel Zelaya do poder.
O novo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, minimizou o objetivo dos 32 países reunidos na Cúpula de Cancún, México, de lançarem uma entidade regional sem a presença de EUA e Canadá para se contrapor à OEA (Organização dos Estados Americanos), tida como alinhada a Washington. ''Não vemos (na nova entidade) uma maneira de excluir os EUA. Não vejo uma ''OEA do B''.
Consideramos como algo bom que os países da América Latina melhorem sua integração'', disse Shannon a jornalistas na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em meio à primeira visita a São Paulo desde que assumiu oficialmente o cargo em Brasília, há três semanas.
Apesar de alguns focos de tensão regional, como a relação Venezuela-Colômbia, e da retórica antiamericana que predomina em governos como os do venezuelano Hugo Chávez e do boliviano Evo Morales, Shannon disse que o momento é de entendimento.
''Do nosso ponto de vista, estamos tendo um momento de muito diálogo e integração em toda a América. Os países do hemisfério estão interessados em encontrar formas de intensificar o diálogo'', disse Shannon, que até meses atrás era chefe da diplomacia dos EUA para a América Latina.
O atual subsecretário dos EUA para a região, Arturo Valenzuela, usou o mesmo tom de Shannon. ''À primeira vista, não há nenhum problema'', disse Valenzuela durante evento acadêmico em Washington. Mas ele ressaltou que ''há uma proliferação de iniciativas semelhantes, que não têm tanto conteúdo como deveriam''.

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