Monterrey, México A Cúpula das Américas, encerrada ontem, foi marcada por advertências do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, contra Cuba e Venezuela, e por divergências, espelhadas na declaração final, sobre temas como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), ou a luta contra a corrupção e a pobreza.
Seis dias de discussões, entre as delegações e depois entre os próprios mandatários, para elaborar a declaração final, demonstraram que a confiança mútua não prevalece atualmente entre os países da região, com algumas exceções, como a relação entre México e Estados Unidos.
Bush defendeu o livre comércio e suas prioridades na luta contra o terrorismo, mas não conseguiu convencer totalmente os dirigentes, alguns dos quais ainda nem conhecia pessoalmente. O presidente americano pediu a seus colegas ''trabalharem para uma transição rápida e pacífica em Cuba'', e promoveu o fortalecimento da democracia na Venezuela, no Haiti e na Bolívia.
Bush manifestou seu apoio aos venezuelanos que ''lutam pela democracia''. O presidente deste país, Hugo Chávez, respondeu elogiando o governo cubano de Fidel Castro. ''Devo afirmá-lo aqui: com a ajuda inestimável de Cuba e seu método de alfabetização, conseguimos alfabetizar este ano um milhão de pessoas em seis meses'', afirmou Chávez sob o olhar atento de Bush.
O presidente americano convidou seu colega mexicano Vicente Fox, o único que apoiou abertamente os Estados Unidos, a seu rancho do Texas, no próximo mês de março, uma honra reservada aos aliados mais próximos de Washington.
A luta contra a corrupção foi outro ponto de discórdia. Segundo várias fontes, foi retirada a menção de que os presidentes corruptos possam ser eliminados do processo de conferências da Organização dos Estados Americanos (OEA), reiniciado em 1994.
Os Estados Unidos voltaram a demonstrar seu unilateralismo, ao anunciar que rejeitarão a entrada no seu território de funcionários de qualquer país da região envolvidos em casos de corrupção.
Esta advertência americana devia aparentemente constar da declaração final.
Os dirigentes do continente defenderam pontos de vista diferentes sobre o desenvolvimento, numa região onde os níveis de pobreza (que afeta 44% da população) se mantiveram ou até progrediram nos últimos anos.
O Brasil encarou os Estados Unidos, mas também se distanciou da Venezuela. Chávez não somente criticou a hegemonia de Washington como também a própria conferência, que qualificou de ''inútil''.
''Não vamos discutir sobre a opinião de outros países; temos uma boa relação com Washington'', comentou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Por sua vez, o presidente argentino, Nestor Kirchner, reiterou ao diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Koehler, que sua prioridade é crescer, antes de pagar.
O presidente boliviano, Carlos Mesa pediu cautelosamente o apoio a suas pretensões de saída ao mar.

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