Cúpula da Droga quer guerra ao ecstasy
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Luis Torres de la Llosa France Presse 
A pílula do ecstasy, favorita dos fãs das noites rave e discotecas tecno, se transformou junto com outros alucinógenos do tipo anfetamínico, num dos alvos prioritários da guerra antinarcóticos declarada na ONU por lideranças de todo o mundo.
A procura pelos estimulantes do tipo anfetamínicos (ETA) cresceu mais que a de qualquer outro tipo de droga ilícita durante a década de 90, advertiram os peritos do Programa de Nações Unidas para a Fiscalização Internacional de Drogas (PNUFI), ontem em Nova York.
Ao contrário das drogas fabricadas a partir de vegetais, como a cocaína, a heroína ou a maconha, os anfetamínicos são sintéticos e estão ao alcance de qualquer laboratório clandestino capaz de se abastecer com matérias-primas mais fáceis de se obter.
Por essa razão, a luta contra a produção, o tráfico e a distribuição do produto se torna mais complexa que o combate contra as drogas tradicionais.
Agora temos que entrar no shopping list das drogas às drogas sintéticas, que a cada dia são mais consumidadas, disse ontem o presidente da Colômbia, Ernesto Samper.
A declaração política que hoje será adotada pelos líderes no encerramento da cúpula identifica a luta contra os anfetamínicos como uma das seis prioridades do plano de ação global contra a droga.
Pedimos que antes de 2003 seja promulgada uma legislação e que sejam também estabelecidos programas nacionais, ou se fortaleçam para por em vigor o plano de ação para combater a fabricação ilícita, a comercialização e o tráfico ilegal de substâncias psicotrópicas, compreendidas as drogas sintéticas e a fiscalização severa e sistemática das fábricas de produtos químicos, indica a versão preliminar do texto. Destaca ainda o ano 2008 como meta para eliminar ou reduzir consideravelmente a fabricação e a comercialização desse tipo de drogas.
Estima-se que 30 milhões de pessoas (0,5% da população do planeta) consomem atualmente algum tipo de anfetamínico. No Extremo Oriente, seu consumo é mais popular que o da cocaína ou da heroína.
Mas o fenômeno preocupa particularmente os países europeus, onde constituem a segunda categoria de drogas mais consumidas, depois da cannabis (maconha e haxixe).
O ecstasy, assim como outras anfetaminas, ou o LSD, fazem parte das denominadas drogas de discoteca porque são frequentemente consumidas para potencializar o prazer de dançar. Provocam euforia e aumentam as percepções sensoriais, pelo qual alguns atribuem também virtudes afrodisíacas.
São vendidos frequentemente comprimidos com unidades de dosificação de 55 a 150 gramas. Seu abuso produz dependência, fenômenos depressivos sérios, além de consequências mais graves que podem provocar os produtos de substituição impuros.
Em muitos países, o uso indevido de estimulantes de tipo anfetamínico se concentra cada vez mais nos setores jovens da população, que tem a impressão difundida e errônea de que essas substâncias são inócuas e benignas. Tal uso indevido ameaça em se transformar em parte da cultura de consumo imperante, adverte o plano de ação a ser adotado no encerramento da cúpula.


