Cúpula Clinton-Yeltsin só produz acordo militar
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quarta-feira, 02 de setembro de 1998
France Presse 
Os presidentes russo, Boris Yeltsin, e norte-americano, Bill Clinton, assinaram ontem em Moscou dois acordos de desarmamento, que provavelmente serão os únicos resultados concretos de um encontro em que Washington não assumiu compromissos de ajuda financeira, apesar da gravidade da crise russa.
O encontro também não permitiu resolver as divergências entre os dois países sobre os métodos para solucionar crises internacionais como a do Iraque, e Yeltsin criticou Clinton pelo uso da força.
Os dois presidentes dedicaram o último dia do encontro de cúpula, ontem, à diplomacia, após examinarem na véspera a situação de decomposição financeira em que se encontra a Rússia.
Ante os temores dos ocidentais de uma guinada radical na política econômica russa, o presidente russo deu garantias de que seu país levará as reformas até o fim, em uma entrevista conjunta à imprensa com seu colega norte-americano.
Os dois acordos de desarmamento foram firmados no salão de honra do Kremlin pelos presidentes e os ministros de Relações Exteriores, Evgueni Primakov e Madeleine Albright.
O primeiro acordo prevê um intercâmbio de informações procedentes dos sistemas de alerta antimísseis de ambos os países, com a finalidade de evitar o risco de uma resposta acidental de Moscou.
A médio prazo, os dois países estabelecem a criação de um centro de controle conjunto russo-americano para processar todas essas informações sobre disparos de mísseis de qualquer ponto da Terra ou da órbita terrestre.
O segundo acordo é uma declaração de intenções em que se prevê a eliminação de 50 toneladas de plutônio de uso militar das reservas dos dois países e, a médio prazo, a construção de fábricas para reciclar esse plutônio e convertê-lo em combustível nuclear civil, ou neutralizá-lo para seu armazenamento subterrâneo.
O objetivo é evitar que o plutônio retirado de mísseis russos desmontados possa cair nas mãos de terroristas ou de outros países.
A assinatura desses acordos provavelmente será o único resultado deste encontro, realizado em uma Moscou em crise política aguda e com um Yeltsin muito debilitado física e politicamente. Clinton conseguiu garantias de Yeltsin de que não haverá uma recuada na política econômica.


