France PresseAs flores junto ao pôster do falecido dirigente são a homenagem do povoPEQUIM - Cercada de mistério e silêncio oficial, a cúpula dirigente chinesa começou ontem a realizar negociações políticas sobre o futuro do país, enquanto são preparados os funerais de Deng Xiaoping, morto na quarta-feira. O Partido Comunista anunciou que as cerimônias fúnebres serão realizadas de forma simples na terça-feira e que o corpo do líder máximo chinês será cremado.
Milhares de chineses foram ontem à aldeia de Paifang, na remota província de Sichuan, onde nasceu Deng Xiaoping, para prestar homenagem ao líder, enquanto o resto do país, de luto, espera os funerais do arquiteto das reformas econômicas. Muitos dos peregrinos, em sua maioria, anciãos, choravam, sem disfarçar sua tristeza.
Durante os seis dias de luto oficial, cinemas, teatros, salões de baile e todos os estabelecimentos de diversões ficarão de portas fechadas. Bandeiras a meio-pau foram hasteadas em todos os edifícios públicos.
Na praça Tianamen, onde ocorreu o massacre de manifestantes pró-democracia, ordenado por Deng em 1989, o luto continua sendo indicado apenas pela presença de uma bandeira vermelha hasteada a meio-pau. Todas as atividades em Pequim estão normalizadas, ao contrário do que aconteceu quando morreu o líder Mao Tsé-tung, em 1976, e em todo o país houve manifestações de histeria e desespero.
Analistas políticos afirmam que o tamanho do comitê de preparação dos funerais - 459 pessoas - encabeçado pelo protegido de Deng, o presidente Jiang Zemin, mostra que o complicado sistema de sucessão política permanece inalterado desde a época do trono do Dragão.

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