Cúpula andina abre em meio a protestos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de junho de 2000
France Presse De Lima 
Os presidentes de Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela e Peru inauguraram ontem, em Lima, a 12ª Reunião Presidencial da Comunidade Andina defendendo a democracia e a integração, em meio a protestos estudantis contra a recente reeleição do presidente peruano Alberto Fujimori.
O encontro foi aberto oficialmente por Fujimori, que pediu a união dos cinco países em favor de um nacionalismo andino ampliado que permita superar os nacionalismos fechados e indiferentes à história da região.
Durante a cerimônia de abertura do encontro, no Hotel Los Delfines, no distrito de San Isidro, a polícia empregou mais de 150 agentes para impedir a aproximação de um grupo de 200 estudantes que protestava contra Fujimori a cerca de 100 metros do local.
Aos gritos de vai cair, a ditadura vai cair e não a fraude, os jovens pediram aos presidentes andinos que não legitimem a fraude eleitoral de 28 de maio passado, data do segundo turno das eleições peruanas.
Outro grupo de 50 estudantes foi dispersado pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo a cerca de um quilômetro do hotel, revelou uma fonte policial.
Os presidentes andinos poderão encerrar o encontro com uma declaração pedindo para o mundo ficar fora de seus negócios internos, advertiu o presidente Hugo Chávez, da Venezuela.
Ao chegar a Lima anteontem à noite, Chávez se recusou a dizer se considerava a segunda reeleição do presidente Alberto Fujimori legítima ou não. Em referência velada aos EUA, ele insistiu que os demais países deveriam seguir o seu exemplo.
Nós não somos juízes, nem somos policiais, e nenhum governo pode autonomear-se juiz ou polícia do mundo, disse Chávez, um ex-pára-quedista que liderou uma frustrada tentativa de golpe de Estado antes de ser eleito presidente dois anos atrás.
Os EUA ameaçaram impor sanções ao Peru desde que Fujimori ganhou um terceiro mandato em 28 de maio, num pleito marcado por irregularidades ao qual observadores eleitorais internacionais se recusaram a dar seu aval.
Chávez disse que irá sugerir aos líderes, durante o encontro, a elaboração de uma declaração para a retomada da soberania de nossos países. Ele disse que as nações andinas deveriam rejeitar o cabresto de uma comunidade mundial que tenta impor sua versão de democracia e política econômica à América do Sul.
Na segunda-feira, a OEA sustou uma tentativa de condenar a vitória de Fujimori como ilegítima e impor sanções ao Peru. Em lugar disso, decidiu enviar ao país uma missão de alto nível para incentivar o aperfeiçoamento das instituições democráticas peruanas.


