'Cultura da morte' ameaça os jovens
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Marie Sanz France Presse 
Derramamento de sangue, culto às armas, adoração de Satã, imagens apocalípticas. A cultura da morte, em que vivem submersos os jovens americanos, é apontada como a causadora de tragédias como a matança na escola secundarista Columbine, de Littleton (Colorado).
Dois dias depois da chacina, que matou 15 pessoas, entre elas os próprios assassinos, os Estados Unidos voltam a se confrontar com a violência, onipresente na cultura popular e que explica, em parte, a loucura assassina que domina a juventude.
Os principais condenados são a televisão, o cinema e os jogos de videogame, cujas cenas sanguinárias são de um realismo chocante.
Assim como os ratos, que transmitem a peste, os meios audiovisuais transmitem o vírus da violência, explica Dave Grossman, psicólogo militar, autor de vários livros sobre o assunto.
Vários estudos, sobretudo os realizados pela Associação Médica Americana, mostraram que existe um vínculo entre a violência e a TV. Um estudo feito pelo professor George Gerbner, da Universidade da Pensilvânia, mostra que os programas de TV para crianças contêm cerca de 20 atos de violência por hora e que os jovens se comportam de forma diferente depois de assistirem a este tipo de programa.
Segundo uma pesquisa divulgada ontem pela emissora americana CNN, 49% dos americanos acham que a violência na TV desempenha um papel importante nos recentes episódios mortais ocorridos em escolas americanas.
O bando da Máfia da capa preta, grupo ao qual pertenciam os dois adolescentes que nesta terça-feira atiraram indiscriminadamente em alunos e professores da escola do Colorado, tinham seus próprios hábitos.
Eles usavam roupas negras dos pés à cabeça, em qualquer época do ano, não se separavam de seu sobretudo nem mesmo na sala de aulas, eram fascinados por Hitler e suas teorias racistas, e eram fanáticos por videogames, diversão que os detinha por horas a fio.
Nos últimos anos, os videogames se tornaram especialmente sofisticados e violentos nos Estados Unidos. Alguns deles, como o Blood II, prometem até 30 níveis, fáceis de ultrapassar, totalmente impregnados de sangue... de combates sanguinários em banhos de sangue (...).
Da mesma forma, o cinema também oferece uma extensa variedade de temas violentos. Entre os filmes recentes preferidos pelos jovens americanos está O Aprendiz (Apt Pupil), que conta a história de um jovem aluno do Segundo Grau, obcecado pelo nazismo, e A Outra História Americana (American History X), que conta as aventuras de um skin head.
Os jovens assassinos também ouviam músicas de bandas de rock góticas, como o cantor Marylin Manson, que diz ser o Anticristo e cujas letras falam de Apocalipse, alienação e desafio à autoridade.


