Culto ao dinheiro dá uma nova face à China
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Patrick Baert France Presse 
Se Mao Tse-Tung visse voltaria a morrer: no imenso Palácio do Povo que mandou construir para as reuniões do Partido Comunista Chinês, seus herdeiros deixaram que se organizasse dias atrás um desfile de modas dedicado a um tema muito pouco proletário - as peles.
Mas nestes dias de final de 1998, vinte anos depois do início das reformas de Deng Xiaoping que significaram a invenção da economia de mercado socialista, ninguém se escandalizou com isso.
A China se converteu no país mais capitalista do mundo, nas palavras do especialista francês Jean-Luc Domenach. E substituiu decididamente o igualitarismo dos anos de Mao pelo culto do dinheiro.
Segundo o artigo primeiro de sua constituição, a China continua sendo um Estado socialista guiado pela classe operária e fundado na aliança dos operários e dos camponeses. Mas é difícil vislumbrar características socialistas nas centenas de automóveis de luxo que passam diariamente pela Praça Tiananmen sob o retrato de Mao, o homem que uniformizou com simples trajes azuis seus compatriotas.
O espírito capitalista está por toda parte, embora o Estado continue controlando a economia por meio de empresas nacionais, explica Jean-Pierre Cabestan, diretor do Centro de Estudos Francês sobre a China Contemporânea, com sede em Hong Kong.
Com a chegada de capitais estrangeiros e a abertura ao mundo, os dirigentes chineses adotaram uns após outros os métodos do capitalismo estigmatizados pelos teóricos do marxismo, da Bolsa aos lucros, passando pela propriedade privada e pela exploração do homem pelo homem.
Tudo isso sem sindicatos independentes, sem direito de greve nem de manifestação.
A economia de mercado socialista tem os inconvenientes do capitalismo sem as vantagens do socialismo, resume uma universitária. As reformas beneficiaram os camponeses que recuperaram a terra. Nós, as pessoas da cidade, perdemos a segurança do emprego, de moradia e de assistência médica, afirma Chan Hong, pequinesa de 40 anos que acaba de ser aposentada pela empresa estatal onde trabalhava.


