Após seis dias da mais violenta crise política vista no Paraguai desde o começo da década, o presidente Raúl Cubas Grau apresentou sua renúncia na noite de ontem.
O anúncio foi feito às 20 horas de Assunção, 21 horas de Brasília. Nas ruas da capital do país, a população comemorou a renúncia de Cubas Grau promovendo um buzinaço. Cinco mil pessoas cantavam initerruptamente o hino nacional, diante da catedral situada ao lado do senado.
Walter Bower, presidente da Câmara de Deputados, e o principal líder da confrontação com Cubas Grau, anunciou a renúncia. Os militares através de um comunicado do general Oswaldo Faria, comandante interino das Forças Armadas, anunciaram que reconheciam o presidente do Senado, Luis Gonzales Macchi, como o novo presidente do país.
Segundo o analista político Carlos Martini, a pressão internacional foi determinante na solução desta crise. Martini disse à AGÊNCIA ESTADO que o fim do governo Cubas Grau começou com o assassinato na terça-feira passada do vice-presidente Luis Maria Arga¤a.
Cubas Grau foi o presidente eleito que menos tempo ficou no poder no Paraguai desde o fim da 2ª Guerra mundial: sete meses e 13 dias. Por volta das 20 horas, senadores e deputados começaram a chegar no edifício do Senado para presenciar a cerimônia de posse do novo presidente.
No entanto, apesar das comemorações, havia preocupação pela resistência que poderia surgir em setores vinculados ao general Lino Cesar Oviedo, o ex-militar golpista que foi o pivô desta crise. Há informações não confirmadas de que o general Oviedo teria fugido do país. Às 19h30 o ex-militar já não se encontrava na sede da Guarda presidencial, onde estava detido.
O arcebispo de Assunção, Felipe Santiago Benítez, pediu as pessoas reunidas ontem em torno da Catedral Metropolitana que retornassem às suas casas, após receber a informação de uma mobilização do Exército no centro da capital paraguaia. Monsenhor Benítez suspendeu a missa vespertina do Domingo de Ramos e pegou um megafone para pedir a todos que abandonassem a região. ‘‘Este é um momento dramático. Fui informado por uma boa fonte que o Exército segue em direção ao centro’’.
Monsenhor Benítez insistiu na importância de se abandonar a região ‘‘é uma questão de vida ou morte. Queremos a vida e queremos responsabilidade. Este apelo realizo como pastor e bispo’’. O religioso pediu aos adultos que agissem ‘‘com responsabilidade’’ e aos jovens que abandonassem o local. A Catedral divide a mesma praça onde estão o Congresso e a Câmara de Deputados.
Posteriormente, um responsável que falou em nome do arcebispo reafirmou o pedido indicando que ‘‘não existe nenhuma segurança para as pessoas que permanecem na praça’’ em frente a Catedral.
De outro microfone, alguém gritou: ‘‘Companheiros, unidos venceremos. Viva o Paraguai!’’.
Na praça, onde se reuniam cerca de 2 mil pessoas, ninguém parecia acatar o conselho do arcebispo.
Senador assumeO porta-voz do Senado, Santiago Caballero, anunciou às 21 horas (horário de Brasília) que ‘‘em algumas horas’’ o presidente do Senado, Luis Angel González Macchi, prestaria juramento para assumir a presidência do Paraguai no lugar de Raúl Cubas Grau, que apresentará a sua renúncia.
Em declarações a imprensa, Caballero convocou senadores e deputados para que compareçessem ao Senado para a cerimônia de ‘‘juramento do novo presidente’’.
Calma relativaA paisagem de desolação que havia tomado conta do centro de Assunção nos dias anteriores havia desaparecido. Ontem, o clima era de relativa calma, e somente nos quarteirões ao redor do Senado notava-se a tensão: um perímetro de quinze quarteirões está rodeado por soldados do exército armados com fuzis M-16. Também foram utilizados os blindados ‘‘Cascavel’’, de fabricação brasileira, para bloquear as ruas que levam ao Senado.France PresseMacarena Gonzales, amiga de Jose Zarza, é consolada durante o funeral do amigo assassinado; Raúl Cubas Grau logo após ser eleitoDas agências

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