Cubas pede calma e fecha as fronteiras
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terça-feira, 23 de março de 1999
Das agências 
Em mensagem pela televisão e rádio, o presidente paraguaio Raul Cubas Grau confirmou oficialmente o assassinato de seu vice, às 11 horas e 15 minutos, (hora local), qualificando o fato de grave e pedindo calma à população do país. Cubas ordenou o fechamento de todas as fronteiras do Paraguai e determinou o imediato início de uma caçada aos responsáveis pelo atentado. O presidente convocou uma sessão de emergência para analisar a situação e discutir as medidas a serem adotadas, entre as quais está o apoio das Forças Armadas à polícia na busca aos autores do atentado. O presidente paraguaio disse ter falado pessoalmente com seus colegas do Brasil e da Argentina e que o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu a colaboração do País para que o crime não fique impune, determinando um reforço na vigilância da fronteira com o Paraguai.
O fechamento das fronteiras surpreendeu centenas de argentinos que estão impossibilitados de voltar a seu país, enquanto do lado da Argentina cidadãos paraguaios, a maior parte motoristas de caminhões, tentam cruzar a fronteira.
O governo paraguaio decretou luto nacional por três dias e oficial por quinze dias.
Funcionários do Judiciário tiveram que sair às pressas a sede desse Poder, no centro de Assunção, depois de uma ameaça de bomba, feita em telefonema anônimo. A polícia vistoriou o prédio mas não encontrou nenhum explosivo. A situação é de grande tensão no Paraguai com políticos do governista Partido Colorado e da oposição conclamando a população a sair às ruas em protesto contra a morte de Argaña. As duas casas do Congresso entraram em sessão permanente.
Exortação dos EUA O departamento de Estado norte-americano exortou ontem o governo paraguaio a realizar uma rigorosa investigação para punir os responsáveis pelo atentado que tirou a vida do vice-presidente desse país, Luis Argaña. Uma declaração divulgada pela embaixada dos Estados Unidos em Assunção afirma que o governo norte-americano condenou energicamente o assassinato do vice-presidente. No processo democrático não há lugar, em absoluto, para a violência. Urgimos a todos os paraguaios a renunciar ao uso da violência como meio de resolver divergências políticas e aderir a normas legais e constitucionais, diz a declaração.
Parlamentares acusam Os presidentes da Câmara de Deputados e do Senado e os líderes das bancadas do Congresso paraguaio responsabilizaram ontem o presidente Raul Cubas Grau e o general reformado Lino Oviedo pelo assassinato do vice-presidente Luis Argaña. Os parlamentares divulgaram um comunicado em que condenam o covarde e vil atentado que custou a vida do vice-presidente e responsabilizam por este crime político o presidente Raul Cubas em cumplicidade com o golpista foragido Lino Oviedo.
O pronunciamento prossegue denunciando ante a comunidade internacional e particularmente ante os países do Mercosul e a OEA este crime político que faz parte do plano terrorista acobertado pelo Poder Executivo destinado a interromper o funcionamento das instituições democráticas para substituí-las por um governo ditatorial.
Ministro se demite O ministro paraguaio do Interior, Rubén Arias, demitiu-se ontem do cargo, dez horas depois do assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña.
O presidente Raul Cubas nomeou para o cargo o próprio irmão Carlos Cubas, que havia sido escolhido ministro da Indústria e do Comércio quando o chefe de Estado assumiu dia 15 de agosto, mas renunciou uma semana depois do decreto presidencial que libertou o general Lino Oviedo.


