Nem mesmo a chuva fria e os olhares curiosos de centenas de paraguaios que visitam a cidade, nesta época do ano, impediram o primeiro passeio do ex-presidente do Paraguai, Raul Cubas, no final da tarde de ontem, no Balneário Camboriu. Sob a segurança de agentes federais, Cubas e sua mulher, Mirta Gusinski, caminharam pelo Calçadão da avenida Central, onde compraram livros e comida. O ex-presidente paraguaio deve assinar hoje o requerimento de oficialização de asilo político no Brasil que será levado a Brasília pelo chefe de cerimonial do Itamarati, Paulo César Oliveira Campos.
Cubas desceu de seu apartamento, o 20 B do sofisticado edifício Cosmos, na av. Atlântica, por volta das 17 horas, ao lado de Mirta. As duas filhas, sairam pela manhã para fazer compras e retornaram em seguida, sem serem percebidas. No passeio pelo centro, manifestações de turistas paraguaios confundiam-se entre palmas e protestos. Vestindo calça jeans e camisa listrada, Cubas manifestou tranquilidade. ‘‘Sinto-me muito bem aqui’’, declarou.
Com um guarda-chuva preto, para se proteger da chuva que atingiu Camboriu durante todo o dia, o ex-presidente se dirigiu a uma banca de revista, onde comprou os livros ‘O advogado’, de John Grisham, ‘Invasão’ e ‘Contágio’, ambos de Robin Cook, ‘Os caçadores’, de Harold Robbins, ‘Ponto de fuga’, de Morris West e ‘Um capricho dos deuses’ e ‘Conte-me seus sonhos’, ambos de Sidney Sheldon. Os 7 livros totalizaram 155 reais, pagos em notas brasileiras. Ao sair da banca, Cubas foi surpreendido por um paraguaio, que seguia discretamente a comitiva de policiais federais, e gritou assassino.
O passeio prosseguiu com parada em uma padaria onde o casal comprou pizzas prontas, salame, pães de queixo, suco, patê, sopa e iogurte. O ex-presidente retornou para casa em passos apressados. Ele explica que deve permanecer na cidade até definir seus próximos planos no Brasil. ‘‘Vim porque gosto do Balneário e tenho imóveis aqui há mais de 15 anos’’.
No apartamento de alto luxo à beira mar, Cubas acomodou as bagagens, tres malas de 20 quilos cada uma, descansou ao lado das filhas e atendeu telefonemas de amigos políticos. A mulher, Mirta, garante não ter medo de ameaças políticas em Camboriu, afirmando que não contratará seguranças pessoais para acompanha-la.

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